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Correio Braziliense

PGR: Com 5 nomes em análise, Bolsonaro admite busca por perfil conservador

O presidente citou, como exemplo, o desejo de um procurador que trate a questão ambiental ''sem radicalismo''


postado em 08/08/2019 11:31

(foto: Valter Campanato/Agencia Brasil)
(foto: Valter Campanato/Agencia Brasil)
A indefinição na escolha do subprocurador da República que vai suceder Raquel Dodge na Procuradoria-Geral da República (PGR) é justificada pela busca do presidente Jair Bolsonaro em identificar alguém com perfil mais próximo da agenda defendida por ele. Citou, como exemplo, o desejo de um procurador que trate a questão ambiental “sem radicalismo”. 

O capitão reformado sugeriu que, nesse debate, o Ministério Público Federal (MPF) tem mais atrapalhado do que contribuído. “Esperamos ter um procurador que trate a questão ambiental, por exemplo, sem radicalismo. (...) Temos problemas nesse sentido. Muitas vezes o MP interfere em questões nossas”, criticou. Bolsonaro insinuou que a instituição não tem contribuído no desfecho de políticas de Estado que esbarram em entraves legais, como a construção do Linhão Manaus-Boa Vista. 

O presidente ressaltou que o país está há seis anos tentando fazer o Linhão e as entraves, segundo ele, são, em grande parte, por problemas ambientais. “Que não atrapalham na questão das minorias. O trabalho dos índios, querendo progredir, progresso, ser como nós somos. E, tendo em vista que estão enquadrados nas minorias, o MP, sei que tem suas Câmaras, etc, com muita independência também lá. Mas a gente conta que esse futuro chefe do MP trabalhe nesse sentido com seus pares”, declarou. 

A declaração foi emendada por um desejo de Bolsonaro de que o sucessor de Dodge evite “essa forma xiita de se tratar as minorias” e cobrou “tratamento adequado no tocante às Forças Armadas”. Para ele, o MPF se intromete em assuntos não-prioritários. “Até houve uma decisão do MP federal dizendo que alunos do colégio militar não têm que obedecer critério de corte de cabelo. Pelo amor de Deus, para de se meter nisso. Colégio militar está dando certo, não só do Exército, como das polícias militares. Agora, vai ver o que está acontecendo de errado em outras escolas públicas, onde é enorme a diferença de conhecimento em qualquer prova que se aplique no Brasil”, criticou. 

A intromissão do MPF seria em decorrência do que Bolsonaro avalia como “estrelismo por parte de alguns”. “A gente vê toda hora alguém falando lá, não sei o que. Não quero alguém que traga para si os holofotes, não é essa a intenção. (Quero) resolver o assunto. Existe (estrelismo).  Em todos os meios tem gente que trabalha com estrelismo”, ponderou.

Lista

Cinco nomes para a sucessão de Dodge são avaliados pelo presidente. Bolsonaro admitiu que o subprocurador Augusto Aras é um deles. Deu, ainda, a entender que, entre os cotados, estão a própria Dodge, que pode ser reconduzida, o “primo do Aras”, o procurador regional Vladimir Aras, e o “capitão de Forças Especiais”, o subprocurador Lauro Cardoso, quarto colocado na votação da lista tríplice. Capitão da reserva, fez curso de forças especiais e foi paraquedista, como o chefe do Executivo federal. 

Questionado se planeja indicar Aras, ainda que um movimento orquestrado por apoiadores dele nas redes sociais sejam contrários, com base em declarações passadas de teses alinhadas com a esquerda, Bolsonaro minimizou. “Quem quer que seja apontado por mim vai levar tiro de (arma de calibre) .50. Hoje vi matéria no Antagonista copiando a Folha criticando o Augusto Aras. Vou dizer à Folha e o Antagonista que Augusto Aras ganhou um pontinho mais positivo. Não estou definindo que seja ele aqui”, declarou. 

Embora reconheça que pode avaliar mais nomes, Bolsonaro alertou que novas sugestões dificultam a escolha”. Está em aberto. A grande dificuldade são os bons nomes que temos. Quantos mais bons nomes, mais dificuldades teremos”, disse. Nesta quinta-feira (8/8), ele recebeu a deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e Walton Alencar Rodrigues, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). 

O presidente admitiu que, na pauta, estaria a sugestão de algum indicado para a PGR. “Está levando um nome para lá, sim. Deve ter mais um. Duas pessoas interessadas. Eu converso com todo mundo. Agora, a decisão, essa aí é minha, no final”, adiantou. Quem ele também recebeu para ouvir sugestão foi Jaime Miranda, procurador-geral de Justiça Militar, e Marcelo Weitzel, subprocurador-geral de Justiça Militar. 

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