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Correio Braziliense

Após corte, governo manda resposta para a Alemanha sobre a Amazônia

Alemanha suspende investimentos na ordem de R$ 155 milhões após dados apontarem o avanço do desflorestamento na Amazônia. Bloqueio não afeta Fundo Amazônia, e ministro ''desafia'' nações europeias a compararem meio ambiente nativo ao brasileiro


postado em 11/08/2019 07:00 / atualizado em 11/08/2019 00:39

(foto: AFP / Mauro Pimentel)
(foto: AFP / Mauro Pimentel)
A Alemanha vai suspender um aporte de 35 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 155 milhões, a projetos de proteção e preservação da Amazônia enviados ao Brasil pelo Ministério do Meio Ambiente alemão. O argumento é a preocupação com a alta do desmatamento na região amazônica. As recentes divulgações pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) seriam a causa da retenção dos recursos. 

Dados do Inpe apontam que o desmatamento cresceu 88% em junho e 278% em julho, ambos comparados com o mesmo período do ano passado. O governo nega as informações e atribui as elevadas taxas de crescimento à inserção de informações anteriores ao mês de referência. No entanto, o argumento exposto pelo ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, não convenceu sua contraparte na Alemanha, a ministra Svenja Schulze, em entrevista ao jornal Tagesspiegel

A ministra do meio ambiente alemã não comentou os dados divulgados pelo Inpe, mas questionou a política ambiental brasileira na Amazônia. “A política do governo brasileiro na região amazônica deixa dúvidas se ainda se persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento”, declarou Schulze ao jornal alemão. A publicação sugere que, somente com dados claros sobre o combate ao desmatamento, a cooperação poderá continuar. 

O governo alemão investe em projetos de proteção à Amazônia há mais de uma década. A publicação alemã informa que, desde 2008, foram disponibilizados 95 milhões de euros, cerca de R$ 425 milhões. Apesar da suspensão de verbas, Schulze manifestou que o bloqueio não atingirá o Fundo Amazônia, o maior projeto de cooperação internacional para preservação da área florestal, de cerca de 4,1 milhões de quilômetros quadrados (km2).

A decisão do governo alemão foi desdenhada, neste sábado (10/8), pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Para ele, o mundo cobiça a Amazônia, mas nenhum país europeu pode dar lição ao Brasil de preservação do meio ambiente. “O país, quer no bioma Pampa, quer no Cerrado, quer no Semi-Árido, quer no Amazônico, ensinamos o mundo como se protege o meio ambiente. Eu desafio qualquer mandatário europeu ou qualquer ONG europeia comparar o que eles têm hoje de mata nativa e o que tem o Brasil. Então, vamos com calma. E também não vamos ser ingênuos de achar que não tem toda uma ação em cima do meio ambiente que significa travar o desenvolvimento brasileiro”, declarou. 

Enfrentamento

O discurso de enfrentamento de Onyx é alinhado ao do presidente Jair Bolsonaro. Na terça-feira, quando participou de uma cerimônia de abertura do 29º Congresso da ExpoFenabrave, em São Paulo, alfinetou a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, sobre a questão ambiental. Disse que os dois “não se deram conta de que o Brasil está sob nova direção”. Bolsonaro se reuniu com os dois na cúpula do G20, em junho, em Osaka, no Japão.

A tendência, agora, é de que a suspensão de recursos pelo governo alemão dê ainda mais forças para a decisão de Bolsonaro em ser o primeiro a ter acesso aos dados do Inpe sobre desmatamento antes de autorizar suas publicações. Na quarta-feira, garantiu que faria isso. “Ele (Darcton Damião, novo diretor do instituto) vai apresentar os números para mim que forem alarmantes. Vai preparar para eu responder para vocês. (É algo que) tem reflexo no mundo todo”, destacou. Os números, defende, devem ser “precisos”.

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