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Correio Braziliense

Livraria oferece livros jurídicos gratuitos a Sergio Moro e Dallagnol

De acordo com o estabelecimento, a ideia é que o ex-juiz e o procurador da Lava-Jato ''possam conhecer melhor as leis brasileiras''


postado em 14/08/2019 18:04 / atualizado em 15/08/2019 17:04

(foto: Instagram/reprodução )
(foto: Instagram/reprodução )
A livraria Leonardo da Vinci, do Rio de Janeiro, anunciou, nesta quarta-feira (14/8), que o ministro da Justiça, o ex-juiz Sergio Moro, e o procurador responsável pela força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, ganharam um ano de livros jurídicos gratuitos. 

A notícia, a princípio, parece ser boa, mas é uma provocação. No comunicado, a livraria diz que o presente é para que os juristas possam conhecer, de fato, a legislação brasileira. "Sem ressentimentos e divisionismos, nossa decisão mira o futuro. Acreditamos que esse primeiro contato com as leis brasileiras e o pensamento jurídico universal fará bem a suas excelências e ao país", escreveram no Instagram. 

O afronte da livraria é em meio às acusações de que o então juiz e o procurador não teriam atuado de forma ética ao trocarem mensagens durante as investigações da Lava-Jato. A legislação brasileira estabelece que as partes do processo — Ministério Público, tribunal e advogados — só devem se pronunciar no proceso. A questão veio a tona com a divulgação de conversas realizadas pelo aplicativo Telegram, obtidas pelo site The Intercept. 

A promoção para os dois juristas só vale, no entanto, se eles forem buscar os livros presencialmente na empresa, que fica no Centro do Rio. "O prêmio só poderá ser usufruído presencialmente. Ministro e procurador, esperamos vocês", diz o convite. 

Nos comentários, a maior parte dos usuários aprova a iniciativa. "Solução Salômica, sábia, por parte da Livraria Da Vinci. Se realmente o conhecimento liberta, esses dois cidadãos poderão vir a servir ao país. Chega de prestarem tanto desserviço e disseminar tanto ódio. Certamente, isso ajudará a tirar o Brasil da escuridão da baixa Idade Média", disse um. "Adorei! Agora alguma universidade poderia oferecer curso de direito para eles refazerem algumas disciplinas e uma reciclagem", apoiou outro. 
 

Livraria provoca outra vez 

Esta não é a primeira provocação da livraria a um integrante do governo Bolsonaro. Em maio, a mesma livraria enviou ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, um livro cortado. A parte que faltava representava os 25% de recursos a menos para as universidades  anunciados pelo governo.

"Antecipadamente, pedimos desculpas pelo corte de 25% no livro, mas a situação das livrarias brasileiras está difícil. Temos certeza que isso não impedirá sua leitura atenta e apaixonada”, dizia a carta enviada junto. 

(foto: Facebook/ reprodução )
(foto: Facebook/ reprodução )


O livro escolhido ainda trazia outra provocação: A metamorfose, de Franz Kafka. No mesmo mês, o ministro tinha feito uma confusão em relação aos nomes e chamado o escritor alemão de "kafta", um tipo de carne árabe.

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