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Correio Braziliense

Número 2 da Receita Federal é exonerado após críticas de Bolsonaro

José Paulo Ramos Fachada Martins da Silva será substituído pelo auditor-fiscal José de Assis Ferraz Neto


postado em 19/08/2019 18:36

(foto: Edu Leporo/Finep)
(foto: Edu Leporo/Finep)
O  secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, decidiu exonerar o subsecretário-geral do órgão, José Paulo Ramos Fachada Martins da Silva, em meio à crise aberta após críticas do presidente Jair Bolsonaro e de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) a uma suposta atuação política de auditores. Fachada, responsável por gerir o dia a dia da instituição, será substituído pelo auditor-fiscal José de Assis Ferraz Neto, atualmente lotado na área de fiscalização da Delegacia da Receita Federal no Recife, em Pernambuco.

“A Receita Federal do Brasil informa que encaminhará a substituição do Subsecretário-Geral do órgão, João Paulo Ramos Fachada Martins da Silva”, diz a nota divulgada no fim da tarde de ontem pela Receita. “O Secretário Especial da Receita Federal, Marcos Cintra, agradece o empenho e a dedicação de João Paulo Ramos Fachada Martins no período em que desempenhou suas atribuições no cargo de Subsecretário-Geral”, acrescenta o comunicado.
  
A exoneração de Fachada pode ser a primeira de uma série, já que, segundo auditores, “pessoas do entorno do presidente Jair Bolsonaro” pressionam o superintendente da Receita no Rio de Janeiro, Mário José Dehon São Thiago Santiago, a substituir delegados na Barra da Tijuca, bairro onde o chefe do governo tem uma casa, e do Porto de Itaguaí, conhecido por estar na rota do contrabando de armas, comandado por milícias, e do tráfico de drogas. Na manhã de ontem, a convocação do titular da Alfândega do Porto de Itaguaí, José Alex Nóbrega de Oliveira, para uma reunião na sede da superintendência da Receita, no Centro do Rio, aumentou as especulações sobre sua saída. 

Desde sábado, quando vazou um relato de Oliveira, em um aplicativo de mensagens, alertando para os riscos da troca de comando, o delegado de Itaguaí tem recebido manifestações de solidariedade dos colegas de profissão. No texto vazado, ele escreveu que “forças externas que não coadunam com os objetivos de fiscalização da Receita Federal, pautados pelo interesse público e defesa dos interesses nacionais” estariam pleiteando a troca. 

O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, Mauro Silva, afirmou que, em 26 anos de Receita, nunca viu o órgão sendo alvo de uma pressão como a atual. “Eu já vi senadores, deputados tentando obter cargos para seus afilhados políticos, mas agora circulam informações, pela imprensa, de que a ingerência está partindo do presidente da República; isso é terrível, é o que nunca poderia acontecer”, disse o presidente da Unafisco.

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