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Correio Braziliense

Bolsonaro não garante permanência, mas evita cravar saída de diretor da PF

Presidente disse que a decisão da permanência, ou não, do chefe da PF é dele e será comunicada ''na hora que achar correto''


postado em 22/08/2019 10:09 / atualizado em 22/08/2019 10:18

Bolsonaro cumprimenta populares e fala à imprensa no Alvorada (foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil )
Bolsonaro cumprimenta populares e fala à imprensa no Alvorada (foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil )
 
O presidente Jair Bolsonaro deixou um ar de suspense sobre o futuro do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo. Com declarações dúbias, sugeriu em um momento, nesta quinta-feira (22/8), que “não pretende trocar ninguém”, mas, pouco depois, desconversou sobre a possibilidade de propor uma mudança no comando da PF neste momento, afirmando que “tudo pode acontecer na política”. Antes, também havia dito que “a renovação é salutar, é saudável”, acrescentando que “não depende da vontade dele (Valeixo)”.  

Sem cravar de maneira assertiva a permanência de Valeixo, Bolsonaro disse que a decisão da permanência, ou não, do chefe da PF é dele e será comunicada “na hora que achar correto”. “Se é para não (ter) interferência, o diretor anterior (Rogério Galloro) a ele (Valeixo) tinha que ser mantido. Ou a PF agora é um órgão independente? A PF orgulha a todos nós. E a renovação é salutar, é saudável”, declarou. 

A fala de Bolsonaro foi sucedida por uma suposta vontade do chefe da PF em abandonar o cargo. “Ele pode, o Valeixo, pode querer sair hoje. Não depende da vontade dele”, comentou. Sem citar o nome do ministro da Justiça, Sérgio Moro, que sugeriu Valeixo para o posto máximo da corporação ainda na transição, o presidente disse não se tratar de uma desautorização a Moro. “Ele (Valeixo) é subordinado a mim, não ao ministro (Moro). Eu que indico (o diretor-geral). Está na lei”, afirmou. 

A declaração de Bolsonaro não está equivocada. O artigo 1º do decreto nº 73.332, de 19 de dezembro de 1973, estabelece que o Departamento de Polícia Federal (DPF) é diretamente subordinado ao Ministério da Justiça e dirigido por um diretor-geral, que, por sua vez, é “nomeado em comissão e da livre escolha” do presidente da República. “Qual o problema se eu trocar ele (Valeixo) hoje?”, questionou.

Interferência

O presidente manifestou, contudo, não ter o interesse em propor mudanças na PF ou em outro ministério. “Se eu for trocar diretor-geral, ministro que for, a gente vai na hora certa. Não pretendo trocar ninguém. Por enquanto, está indo bem o problema. Agora, quando der algo errado, a gente chama, conversa”, explicou. Divagou, no entanto, se uma troca no comando da corporação não está descartada. “Hoje? Dia 22 de agosto? Tudo pode acontecer na política”, declarou. 

O capitão reformado ressaltou que, até o momento, 11 superintendentes foram trocados, e a polêmica sobre ele interferir na PF decorreu depois de comentários a respeito da mudança na superintendência da corporação no Rio de Janeiro. E sinalizou que uma possível mudança na diretoria-geral pode estar associada à opção de Valeixo pelo superintendente de Pernambuco, Carlos Henrique Oliveira, para comandar a superintendência do Rio, e não o superintendente do Amazonas, Alexandre Silva Saraiba, como deseja. “Quando eu sugiro um cara de um estado para ir para lá, ‘está interferindo’. Se eu não posso trocar superintendente, eu vou trocar o diretor-geral. Aí não se discute isso aí”, sustentou. 

O presidente manifestou o desejo do “bem do Brasil”, a vontade de combater a corrupção e que se “faça a coisa da melhor maneira possível”. Mas negou que esteja imputando algum erro a Valeixo. “Não estou acusando ninguém de fazer nada errado. Mas a indicação é minha. Por isso, elegeram o presidente da República. Se não pudesse inter ingerência, interferência, que, para mim, é mudança, teria mantido o cara anterior, ficaria lá até morrer”, disse. 

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