Publicidade

Correio Braziliense

Após veto de Ministério a filme LGBT, secretário de Cultura deixa o cargo

Henrique Pires disse ter deixado o cargo por ser ''voz dissonante do governo''; assessoria do Ministério da Cidadania sustenta que ele foi demitido


postado em 22/08/2019 10:57 / atualizado em 22/08/2019 10:59

''Tenho o maior respeito pelo ministro, mas não vou chancelar a censura'', disse Pires(foto: Mauro Vieira/Agência Brasil)
''Tenho o maior respeito pelo ministro, mas não vou chancelar a censura'', disse Pires (foto: Mauro Vieira/Agência Brasil)
 
O secretário especial de Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Pires, anunciou, nessa quarta-feira (21/8), que deixará o cargo, pois é "voz dissonante" no governo. A assessoria do ministro da Cidadania, Osmar Terra, porém, disse que foi ele quem demitiu o secretário.
 
Henrique Pires estava no cargo desde o início do governo Bolsonaro e afirmou que decidiu deixar a secretaria após o ministério suspender edital que havia selecionado séries sobre diversidade de gênero e sexualidade a serem exibidas nas TVs públicas. "Isso [suspensão] é uma gota d'água, porque vem acontecendo. E tenho sido uma voz dissonante interna", disse Pires. “Tenho o maior respeito pelo presidente da República, tenho o maior respeito pelo ministro, mas não vou chancelar a censura", acrescentou.

Na semana passada, ao fazer transmissão ao vivo em uma rede social, Bolsonaro disse que o governo não vai financiar produções com temas LGBT. "Fomos garimpar na Ancine, filmes que estavam já prontos para ser captado recursos no mercado. [...] É um dinheiro jogado fora. Não tem cabimento fazer um filme com esse tema", afirmou o presidente na ocasião.
 
Ele citou quatro obras que participaram do edital realizado pela Ancine, pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). As produções seriam financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Afronte, Transversais, Religare Queer e O sexo reverso são projetos de séries anunciados em março como parte de uma seleção preliminar do processo. “Não concordo com a colocação de filtros em qualquer tipo de atividade cultural. Não concordo como cidadão, e não concordo como agente público, você tem que respeitar a Constituição", afirmou Henrique Pires.
 
Em nota, o Ministério da Cidadania afirmou: “Ao contrário da versão divulgada pelo ex-secretário especial da Cultura José Henrique Pires, o cargo foi pedido pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra, na terça-feira, à noite, por entender que ele não estava desempenhando as políticas propostas pela pasta. O ministro se diz surpreso com o fato de que o ex secretário, até ser comunicado da sua demissão, não manifestou qualquer discordância à frente da secretaria. O secretário-adjunto e secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, José Paulo Soares Martins, assume o cargo.”

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade