Politica

Rede protocola pedido de impeachment do ministro do Meio Ambiente no STF

No documento, parlamentares do partido acusam Ricardo Salles de crime de responsabilidade

Luiz Calcagno, Maria Eduarda Cardim
postado em 22/08/2019 14:27
Ministro do meio ambiente Ricardo Salles
A Rede Sustentabilidade protocolou, nesta quinta-feira (22/8), um pedido de impeachment do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, no Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, parlamentares do partido acusam o ministro de crime de responsabilidade. O pedido também indica que Salles cometeu atos incompatíveis com a função ;ao perseguir agentes públicos;.

A ideia inicial partiu do senador Fabiano Contarato (Rede-ES), presidente da Comissão do Meio Ambiente do Senado, mas foi acolhida por outros membros do partido como o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da Oposição e da Rede no Senado e a deputada Joenia Wapichana (Rede - RR), que assinaram o documento junto com Contarato.

"Temos que entender que essa medida extrema não surgiu da noite para o dia. Só eu como senador já ajuizei oito ações em desfavor do Ministério do Meio Ambiente. Está havendo um verdadeiro desmonte na área ambiental", disse Contarato. De acordo com o senador, o pedido de impeachment de um ministro de estado é inédita no STF. "O Supremo está sendo convocado e os olhos da população, das organizações, da academia, dos cientistas, estarão voltados para a decisão do Supremo", afirmou.

Os parlamentares, também por meio do partido, ingressaram com uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO) do presidente da República, Jair Bolsonaro, e do próprio ministro do Meio Ambiente quanto à preservação do meio ambiente. ;O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais alertou sobre o aumento de 278% de desmatamento da Amazônia. E nada foi feito. A reação foi demitir o diretor. Precisávamos tomar uma posição no sentido de fazer com que cessasse;, disse Joenia Wapichana.

;Estão fazendo vistas grossas. Acabando com ações e parcerias como o fundo amazônico, que contribuía para o monitoramento. Estamos a mercê da omissão. O governo está agindo contra os povos indígenas. Há uma série de invasões de garimpeiros em terras indígenas. Nas terras Yanomami, são mais de 20 mil garimpeiros e nada foi feito para conter as invasões. O governo age para provocar;, completou.

Randolfe, por sua vez, afirmou que os argumentos do governo não justificam o que ele classificou de ;tragédia; na Amazônia. ;De fato, a partir de agosto, começa a estiagem amazônica. Temos um período que chove, até junho, e um sem chuva, de julho a dezembro. É verdade que esse período é da estiagem. Mas também é verdade que os governos sempre se prepararam para esse período. Sempre tiveram política de prevenção para esse período. O que fez o atual governo, o atual ministro, no mês de maio? Cortou 50% dos recursos do Previfogo, um dos programas de prevenção às queimadas na Amazônia nesse período. R$ 5,3 milhões;, criticou

Randolfe lembrou, ainda, que o governo tem aventado a possibilidade de regular o garimpo em terras indígenas e destacou que o Ministério do Meio Ambiente tem dever constitucional e responsabilidade de proteger a maior floresta tropical do mundo. ;Há omissão do ministério de um lado, combinado com a ação e omissão das autoridades estaduais. Não à toa, o governo de Rondônia é do mesmo partido do presidente;, alfinetou.

;Tem um projeto coordenado de desmantelamento das instituições de combate às catástrofes ambientais. De corte de recurso, desmonte e negação da catástrofe. Chega a ser cinismo do presidente responsabilizar ongs e governos estaduais. É o mesmo presidente que, há dois meses, negou o aquecimento global. Que disse que a legislação ambiental emperrava o desenvolvimento brasileiro. Basta recuperar as declarações do presidente e do ministro do meio ambiente. As declarações, omissões e ações tem ligação direta com a catástrofe que está acontecendo. Por isso, estamos protocolando o pedido de impeachment;, disse.

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