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Correio Braziliense

Senadores se mobilizam contra PL de abuso de autoridade

Se o pedido dos parlamentares do grupo Muda Senado for atendido, o veto integral ainda poderá ser derrubado no Senado


postado em 22/08/2019 15:57 / atualizado em 22/08/2019 16:07

Parlamentares entregaram as 33 assinaturas ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, no início da tarde desta quinta(foto: Divulgação/Assessoria do senador Major Olímpio.)
Parlamentares entregaram as 33 assinaturas ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, no início da tarde desta quinta (foto: Divulgação/Assessoria do senador Major Olímpio.)
Senadores do grupo Muda Senado fizeram um abaixo-assinado com o nome de 33 colegas. Eles pedem ao presidente da República que vete integralmente o projeto de lei de abuso de autoridade. Se Bolsonaro atendê-los, o veto integral ainda poderá ser derrubado no Senado. Mas, para que isso aconteça, a votação será nominal. Diferente do que ocorreu na Câmara. Os políticos acreditam que, dessa forma, seria mais difícil de o PL ser aprovado em plenário.

Eles também criticaram a Câmara, por ter “desengavetado” o projeto e aprovado de madrugada. Os senadores do grupo alegam que o projeto do abuso de autoridade foi feito para intimidar a polícia, a Justiça e o Ministério Público. Vice Líder do Podemos, o senador Oriovisto Guimarães (PN) disse que o grupo está oferecendo apoio “integral” a Bolsonaro. “Estamos pedindo ao presidente o veto integral de todas as medidas que a Câmara aprovou na calada da noite sobre o abuso de autoridade”, alfinetou Oriovisto.

Ele ainda ofereceu, como garantia de manutenção do veto do presidente, o fato de a atual legislatura do Senado ser composta, em sua  maioria, de políticos em primeiro mandato. “Essas medidas foram aprovadas em 2017, quando Bolsonaro não era presidente e a maioria de nós não estava no Senado. Em uma época em que o Brasil, logo depois, em sua imensa maioria, disse não à corrupção. A origem das medidas é antiga. Não participamos disso. Oferecemos nosso integral apoio para manter o veto”, disse. 

Os parlamentares entregaram as 33 assinaturas ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, no início da tarde. Líder do PSL, o senador Major Olímpio (SP)desafiou os colegas favoráveis ao projeto de abuso de autoridade. “Se quiserem derrubar o veto total, terão de colocar 41 senadores. Cada um terá que colocar sua digital. Esse PL não foi feita com cérebro, mas com o fígado, com espírito de vingança contra juízes e policiais, quando o Brasil pede o fim da corrupção e maior segurança”, afirmou o líder do PSL.

A Câmara desengavetou um projeto de 2017, à época, também votado com o fígado. Queremos dar ao presidente a garantia de veto integral. Nós queremos dar esse suporte. Senadores de vários partidos, correntes políticos, preocupados com o Brasil. Não queremos que morra Operação Lava Jato. Ao contrário, a população quer, espera e merece profissionais isentos, independentes e que cumpram as missões de suas instituições”, defendeu Major Olímpio.

O líder do Podemos, Senador Álvaro Dias (PR) também criticou o projeto. “Temos a exata noção do objetivo da aprovação dessa proposta pela Câmara. Não é oferecer ao país legislação moderna e competente que responsabilize autores de eventuais abuso de autoridade. O objetivo é dar intimidação, atemorizar policiais, integrantes do Ministério Público e da Justiça, especialmente na esteira da Lava Jato, que vem desbaratando organizações criminosas no país. Há iniciativas para vetar nove ítens. Mas isso não corrige o equívoco histórico do Congresso. O vício de origem é insanável e só resta o veto integral”, argumentou.

Também do Podemos, Lasier Martins (RS) destacou que é preciso permitir que se retirem da política “os maus elementos que destruíram o país”. “Queremos uma reconstrução limpando o terreno”, afirmou. O colega de partido, Marcos do Val (ES), por sua vez, disse que Moro está “enfraquecido”. “Está claro pra todo mundo que estão tentando de várias formas enfraquecer o combate à corrupção e à Lava Jato. Estamos sentindo o ministro Sérgio Moro enfraquecido e estamos nos mexendo. Essa iniciativa deixa claro que ele não está sozinho, que representamos o desejo da sociedade”, garantiu.

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