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Correio Braziliense

Da Esplanada a Londres: protestos em defesa da Amazônia ocorrem pelo mundo

Manifestantes saíram às ruas em Brasília e em várias cidades do país para cobrar maior proteção à Amazônia. Eles prometem repetir atos neste fim de semana. Houve mobilizações também na Europa e na América do Sul


postado em 24/08/2019 07:00

Em Brasília, os manifestantes saíram da rodoviária, seguiram pela Esplanada e pararam em frente ao Ministério do Meio Ambiente(foto: Sergio LIMA / AFP)
Em Brasília, os manifestantes saíram da rodoviária, seguiram pela Esplanada e pararam em frente ao Ministério do Meio Ambiente (foto: Sergio LIMA / AFP)
Manifestações contra as queimadas na Amazônia e a política ambiental do governo foram realizadas, nesta sexta-feira (23/8), em várias cidades do país, dando a largada a uma série de protestos que está programada para este fim de semana. Em Brasília, centenas de pessoas partiram, no fim da tarde, da Rodoviária do Plano Piloto, percorreram a Esplanada dos Ministérios e pararam ao lado do prédio do Ministério do Meio Ambiente. Os manifestantes projetaram imagens de chamas no edifício e, como ocorreu em outras cidades, pediram a saída do ministro da pasta, Ricardo Salles, e do presidente Jair Bolsonaro.


“Amazônia fica, Bolsonaro sai”, dizia uma das faixas na Esplanada, num ato pacífico que causou lentidão no trânsito e reuniu pessoas de diferentes gerações. “Nós temos de ir para a rua mesmo, não temos outro instrumento. É ir para cima dos responsáveis por isso. Eu estou morrendo com a Amazônia, porque, como é que a gente vai respirar? Como é que o mundo vai respirar?”, questionou Gecima Bastos Pinheiro, 75 anos, professora e psicóloga aposentada.

O estudante Dimitrius Berçot Júnior, 18, disse que a população tem de mostrar poder. “O pessoal tem que vir para a rua, ocupar o espaço, defender a Amazônia, porque o que Bolsonaro está fazendo não está certo”, disse. “A Amazônia está correndo muito risco e, se a gente não cuidar, a tendência é só piorar.”

Em São Paulo, os manifestantes se concentraram em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).  Eles empunhavam cartazes com frases como “chega de lucrar com a destruição” e “Vender a Amazônia aumenta o PIB do Brasil?”.

No Rio de Janeiro, o protesto começou na escadaria do Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia, no centro da cidade. Bolsonaro e o ministro Salles eram os principais alvos das críticas dos manifestantes. Em seguida, eles fizeram uma caminhada em direção ao BNDES.

Em Salvador, o ato ocorreu no centro da cidade. Na Praça Municipal, os participantes gritaram pedidos de “justiça climática” em defesa da Amazônia. Também cobraram a fiscalização do desmatamento ilegal e a demarcação dos territórios indígenas.

Houve protesto também em Curitiba. A mobilização, no centro da cidade, teve participação de muitas crianças, adolescentes e índios. Alguns participantes estavam fantasiados com temas da natureza. O grupo se reuniu na Praça Dezenove de Dezembro e seguiu pela Rua XV até a Boca Maldita.

Exterior

Manifestações ocorreram também em vários países. Aos gritos de “Salvem a Amazônia” e “Fora, Bolsonaro”, cerca de 300 pessoas protestaram diante da embaixada do Brasil em Londres. “Vimos as imagens horríveis (da floresta em chamas) e queremos fazer algo em solidariedade para com o povo do Brasil. Também temos filhos e gostaríamos que crescessem num mundo que tem seus pulmões”, declarou Luisa Brown, 36. “Estou muito preocupada com a mudança climática, mas especialmente pelo impacto do agronegócio”, emendou Lucy Brown, 41, acompanhada dos filhos de 2 e 4 anos. As duas são membros da Extinction Rebellion, o movimento de desobediência civil criado no fim de 2018 para lutar contra a falta de ação diante da mudança climática.

“É verdade que preferem hambúrguer a oxigênio?”, questionava o cartaz exibido por outro manifestante. “É o Donald Trump brasileiro, tudo que interessa a ele é o lucro, o dinheiro”, protestou Graham Cox, de 57. Ele contou que se uniu ao Extinction Rebellion, porque, em 35 anos de ativismo ambiental, assinou todas as petições “e não viu nada mudar”.
Em Dublin, ao menos 100 pessoas ocuparam a entrada de um edifício que abriga a embaixada brasileira. Houve manifestações também em Berlim, Barcelona, Paris, Amsterdã, Lima, Bogotá, Quito. (Com Agência France Press)

 

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