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Correio Braziliense

MRE confirma Bolsonaro em Assembleia da ONU e diz que vai ignorar protestos

Segundo o Itamaraty, a abertura da Assembleia-Geral pelo Brasil é uma tradição consolidada na ONU, e ''o Presidente Bolsonaro fará o discurso na AGNU como um presidente legitimamente eleito''


postado em 13/09/2019 18:27 / atualizado em 13/09/2019 18:30

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O Ministério das Relações Exteriores confirmou, por meio de nota, que o presidente Jair Bolsonaro fará a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, no dia 24, em Nova Iorque, e disse que convocações para boicote contra o discurso do chefe do governo brasileiro serão ignoradas. A manifestação do Itamaraty foi divulgada, a pedido do Correio, em resposta à ação de um grupo de catorze organizações brasileiras e internacionais que divulgou uma carta aberta ao secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, manifestando "indignação" com a participação de Bolsonaro na abertura do evento.

Organizada pela Defend Democracy in Brazil Commitee, entidade sediada em Nova Iorque, a carta traz um abaixo-assinado e pede para Guterres "assumir uma posição de princípio e necessária condenando Bolsonaro e suas ações" em relação ao meio ambiente e aos povos indígenas. O documento pede ainda que o líder da ONU "repreenda" o presidente brasileiro "formalmente".

Segundo o Itamaraty, a abertura da Assembleia-Geral pelo Brasil é uma tradição consolidada na ONU, e "o Presidente Bolsonaro fará o discurso na AGNU como um presidente legitimamente eleito, representando uma democracia onde existe o pleno respeito ao Estado de Direito". O Ministério acrescentou que "não há razão para qualquer tipo de boicote e temos confiança de que chamados a esse tipo de ação serão ignorados".

O manifesto, que tem entre os signatários as organizações brasileiras Articulação dos Povos Indígenas (APIB) e a UNEAFRO Brasil, é a mais recente pressão internacional contra a condução da política ambiental do governo Bolsonaro.

"Estamos escrevendo para expressar nossa indignação ao fato da 74ª Assembléia Geral das Nações Unidas de 2019, com dedicação especial à Cúpula de Ação Climática, ser inaugurada por Jaír (sic) Bolsonaro, Presidente do Brasil, um negador da mudança climática que, durante o curto período de sua presidência, supervisionou a destruição sem precedentes da Amazônia e a rápida reversão de décadas de tentativa de progresso ambiental e de direitos humanos na região", diz um trecho do manifesto à ONU.

"A atual aceleração na destruição da Amazônia é o resultado de uma atividade humana deliberada e concertada, diretamente encorajada pelo governo de Bolsonaro. Cientistas e organizações da sociedade civil como a APIB (Articulação dos Povos Indígenas no Brasil) vêm alertando há meses que as políticas arbitrárias do governo Bolsonaro teriam impactos desastrosos", acrescenta o documento.

O texto também cita a demissão do ex-diretor do Institituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), Ricardo Galvão, "o principal cientista do Brasil", após a divulgação de imagens de satélites que confirmaram o avanço do desmatamento da Amazônia. Além disso, critica o governo brasileiro por ter retirado, de forma radical, o financiamento das  agências de proteção ambiental e indígena e de ter nomeado como ministro do Meio Ambiente "outro negador da mudança climática, que foi acusado de conduta criminal", em referência ao ministro Ricardo Salles.

O documento acrescenta que o Brasil, sob Bolsonado, não se retirou do Acordo de Paris apenas devido à pressão nacional e internacional, "mas parou efetivamente de cumprir os seus termos".  As organizações signatárias também destacam a substituição de todo o conselho do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),  "da única agência ambiental autônoma do Brasil ", por policiais militares.

A Carta ao secretário-geral da ONU é assinada pelas seguintes organizações: Comitê Defend Democracy in Brazil - Nova York; Articulação dos Povos Indígenas (APIB); Amazon Watch; ANSWER Coalition NYC (Act Now to Stop the War and End Racism); Rise And Resist NY; Extinction Rebellion International; Extinction Rebellion NYC; Extinction Rebellion Amazonia; Earthstrike NYC; Rede dos Estados Unidos pela Democracia no Brasil; Reverend Billy & the stop shopping choir; UNEAFRO Brasil; Revolting Lesbians; e Women’s Earth and Climate Action Network (WECAN).

Essa não é a primeira manifestação de protesto contra a presença de Bolsonaro em Nova Iorque. Em abril, o prefeito da cidade mais imporante do mundo, Bill De Blasio, pediu oficialmente ao Museu Americano de História Natural que cancelasse um evento de entregag ao presidente brasileiro do personalidade do ano, conferido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. Outras organizações fizeram o mesmo, e Bolsonaro acabou recebendo o prêmio em uma solenidade  realizada na cidade de Dallas.
 
No momento, o presidente brasileiro convalesce, em um hospital de São Paulo, de uma cirurgia de correção de hérnia, em razão do atentado a faca sofrido em setembro do ano passado, em meio à campanha eleitoral.

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