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Correio Braziliense

Após ida à ONU, agenda de Bolsonaro inclui viagens ao Japão e à China

As viagens à Ásia terão como objetivo abrir portas e emplacar outros setores não tão bem aproveitados.


postado em 16/09/2019 06:00 / atualizado em 15/09/2019 23:29

(foto: Alan Santos/Presidência da República)
(foto: Alan Santos/Presidência da República)

A ida do presidente Jair Bolsonaro para Nova York será a retomada da agenda externa brasileira. Estão previstas viagens do chefe do Executivo federal para Japão, China, Emirados Árabes e Arábia Saudita. E, em novembro, o Brasil sediará a cúpula do Brics, bloco formado com a participação de Rússia, Índia, China e África do Sul.

 

A presença de Bolsonaro no Japão ainda está sob avaliação do Itamaraty. O Correio apurou que o gabinete do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, ainda avalia a ida de Bolsonaro à coroação do imperador japonês, Naruhito. Como foi à cúpula do G-20, em Osaka, onde tratou acordos comerciais com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, a ida ao país pode ser postergada. Entretanto, avaliam também que seria uma boa possibilidade para Bolsonaro, presidente pro-tempore do Mercosul, negociar o acordo entre o bloco comercial e o Japão.

 

As viagens à Ásia terão como objetivo abrir portas e emplacar outros setores não tão bem aproveitados. O Brasil mostrará que cumpre os padrões de qualidade exigidos pelos parceiros comerciais. A visita à China é uma das mais esperadas. Depois de um início de relação desgastada, com algumas desavenças em razão da proximidade sinalizada pelo governo brasileiro com os Estados Unidos, Bolsonaro terá a oportunidade de aprimorar o relacionamento com o principal parceiro comercial do país.

 

O deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), presidente da Comissão de Agricultura da Câmara e presidente da Frente Parlamentar Brasil-China, comemora a viagem. “Vejo com bons olhos o governo deixando questões ideológicas longe do debate e priorizando a pauta comercial. Também sou de direita, mas temos que pensar nos interesses do Brasil, nos investimentos e nas exportações”, pondera. O parlamentar afirma não ter sido convidado para viajar com a comitiva presidencial, mas minimiza. “O que importa é que estou ajudando o governo, fazendo minha parte para gerar pautas importantes para o Brasil, econômicas e de investimentos”, sustenta.

 

A ida de Bolsonaro ao mundo árabe também será uma oportunidade para melhorar o relacionamento. Depois de ter sugerido a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, o governo criou um constrangimento junto à comunidade árabe. Embora tenha recuado na decisão, sob a ótica diplomática, será um gesto importante a visita. Afinal, são os principais compradores de proteína animal brasileira.

 

Tutela

 

Para a viagem à Arábia e aos Emirados Árabes, Bolsonaro está sendo tutelado por conselheiros mais próximos. O Oriente Médio tem uma cultura e questões de etiqueta sobre as quais a diplomacia brasileira recomenda cuidados, para que uma declaração não seja mal recebida. A ideia é que o presidente adote uma postura mais pragmática, não fugindo do roteiro para evitar cometer gafes em países não cristãos. 

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