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Correio Braziliense

''Fui vítima de uma operação politica'', afirma líder do governo

Fernando Bezerra Coelho alega que o ato foi ''flagrantemente inconstitucional'', com o objetivo de prejudicar o avanço de pautas importantes


postado em 24/09/2019 19:01

(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), aproveitou a sessão conjunta do Congresso, nesta terça-feira (24/9), para se defender após ter tido o gabinete revistado pela Polícia Federal, na última quinta-feira (19/9). O senador disse ter sido vítima de uma "operação política", que, segundo ele, foi articulada para atingir o Congresso e o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Bezerra alega que o ato foi "flagrantemente inconstitucional", com o objetivo de prejudicar o avanço de pautas importantes, como as reformas da Previdência e tributária. "Não podemos esquecer que essa operação ocorre no momento em que o Senado avança com a agenda econômica", pontuou. 

"Parece que essa operação é deliberadamente uma tentativa de reavivar velhas práticas de intimidação e de criminalização da política", acrescentou o senador. "Que fique claro, não temo as investigações", reforçou.

Durante o discurso, Bezerra classificou a ação como "uma afronta" e "um atentado contra a independência dos Poderes" e garantiu que, "pela ausência de elementos comprobatórios, terá o mesmo destino de outras acusações que enfrentei: o arquivamento".

Para ele, ficou claro que o objetivo da ação era afetar o governo, já que as acusações se referem a atos praticados em 2014, o que, na opinião do senador, não justificaria a busca da PF neste ano. "Se os fatos citados remontam ao ano de 2014, por qual motivo incluir o gabinete da liderança entre os locais da busca e apreensão, se não para impor ao governo do presidente Bolsonaro um constrangimento?", questionou.

Alvo de investigação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso autorizou a busca e apreensão no gabinete de Bezerra, na última quinta-feira. A iniciativa faz parte de uma operação da PF que investiga suposto uso de empresas de fachada para lavagem de dinheiro e pagamento de propinas.

Assim como o líder do governo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), rechaçou a ação, que não teve aval do Ministério Público Federal (MPF). A então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, deu parecer contrário, com o argumento de que a medida seria "invasiva" e "desnecessária".

A falta de autorização do MPF foi o principal argumento para o pedido de anulação da liminar concedida por Barroso. Alcolumbre cancelou a votação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), nesta terça, para ir pessoalmente ao STF conversar com o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, sobre o assunto.

Bezerra agradeceu o apoio e a "firmeza" de Alcolumbre e disse que a operação feita no gabinete é uma "grave ofensa ao equilíbrio democrático" e, por isso, "merece, sim, a contundente reação desta Casa, especialmente de seu presidente"

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