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Correio Braziliense

''Casamento é passível de divórcio'', diz porta-voz sobre Bolsonaro e PSL

Porta-voz da Presidência da República aumenta rumores da possibilidade de o presidente se desfiliar do partido que o elegeu


postado em 14/10/2019 20:33 / atualizado em 14/10/2019 21:03

(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)
O presidente Jair Bolsonaro centrou boa parte da sua agenda nesta segunda-feira (14/10) em conversas com deputados federais do PSL para discutir a sua intenção de se desligar da sigla. Por enquanto, o chefe do Executivo federal não confirma a vontade de deixar a legenda de forma oficial, no entanto, pessoas próximas a ele confirmam os rumores de um possível desligamento entre as partes. De acordo com o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, “qualquer casamento é passível de divorcio”.

 

“O presidente analisa a situação referente ao seu posicionamento ao PSL dia a dia e usa uma metáfora que lhe é muito usual: qualquer casamento é passível de divorcio”, disse o porta-voz, em briefing com jornalistas no início desta noite.

 

O Rêgo Barros fez a comparação do momento delicado vivido pelo presidente e o partido com um casamento conturbado em três oportunidades. Segundo ele, Bolsonaro ainda “não afirmou que há divórcio”, mas que “nos casamentos, eventualmente, chega-se a uma situação em que é preciso que haja o divórcio”. “Mas ele (Bolsonaro), não qualificou que este momento, ou que este casamento, vá gerar divórcio, ao menos no momento”, acrescentou.

 

Questionado sobre o que seria preciso para que o “casamento” entre Bolsonaro e PSL fosse tranquilizado, Rêgo Barros desconversou. “Não é possível adiantar a possibilidade de se concretizar divórcio em qualquer que venha a ser o casamento, adiantar que haja divórcio em qualquer que seja o casamento. O presidente não classificou que, ao menos nesse momento, esse casamento vá para o divórcio”, reforçou o porta-voz.

 

Na última semana, Bolsonaro assinou um requerimento junto com 21 parlamentares do PSL cobrando a prestação de contas do partido para tornar públicas informações relevantes sobre as finanças do PSL. O documento pede uma auditoria externa dos dados. Dessa forma, tanto o presidente quanto os demais parlamentares do partido poderiam se basear em eventuais irregularidades para solicitar desfiliação da sigla por justa causa, sem que haja perda de mandato.

 

De acordo com o porta-voz, tal atitude explica-se porque “o que ele quer é que o PSL seja referência como partido político, transparente, que se mostre à sociedade como um partido diferente”. “Para isso, é preciso que haja um compliance, que haja a possiblidade de ir fundo nas análises do partido e confirmá-las”, defendeu Rêgo Barros.

Conversa com líderes

Bolsonaro abriu o seu gabinete para dialogar com deputados da legenda nesta manhã. As reuniões, contudo, aconteceram somente com parlamentares que aprovam o seu posicionamento de ataque à sigla e ao presidente do PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PSL-SP).

 

Major Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara, e Filipe Barros (PSL/PR) e Bia Kicis (PSL/DF), vice-líderes do PSL na Casa, foram alguns dos parlamentares que conversaram com o chefe do Palácio do Planalto. Segundo Vitor Hugo “o PSL é um partido que teria muito provavelmente acabado se não tivesse dado a legenda para o presidente”.

 

Ele defendeu que a sigla se una para encontrar uma solução e não vire as costas a Bolsonaro. “O mais importante para quem está desse lado é a manutenção do vínculo e da lealdade com o presidente”, declarou.

 

O deputado é outro que assinou o requerimento pedindo a prestação de contas da legenda. Ele não confirmou se deixaria o partido, apesar de apoiar Bolsonaro, mas reconheceu que os parlamentares que pensam nessa possibilidade até cogitam abrir mão do fundo partidário.

 

“É uma solução. Mas não consigo avaliar o impacto ainda. Tem que ser algo discutido na coletividade de quem está apoiando a iniciativa, e vai ter que ser refletido com relação aos riscos para a próxima eleição. Vamos ter que fazer nosso cálculo político para saber a melhor maneira de sair sem colocar os mandatos individuais em risco”, analisou.

 

Deputados contrários à ideia de debandada geral também foram ao Palácio do Planalto, mas não conseguiram falar bom Bolsonaro. Coronel Tadeu (PSL-SP) disse estar inconformado por “todos estarem na mesma casa e brigando”, e acredita que haja falta de conversa entre os integrantes da legenda. “Ninguém derrubou a parede muito menos o telhado voou, então, tem espaço (para conversa). Mas nessa altura do campeonato, cada um está num cômodo e ninguém quer se encontrar com ninguém”, reclamou.

 

Segundo ele, o presidente está “mal assessorado politicamente” e “não tem cabimento” que um grupo de deputados queira deixar a legenda agora. “Será que é oportunismo ou traição? Pra quê fazer isso? Se eles querem deixar o partido, que obedeçam a regra. Que renunciem o mandato e nós chamamos os suplentes. Isso aqui é partido, não é bagunça”, criticou o deputado. De qualquer forma, ele espera uma pronta solução. “Se tiver que rachar, sem problema nenhum. Assim, saímos dessa fervura toda. Nós não estamos em paz. O governo precisa andar. Isso não nos leva a lugar nenhum e traz cada vez mais desgaste."

 

 

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