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Correio Braziliense

''Não tenho mais nada a falar'', diz deputada sobre candidaturas do PSL

Soraya Manato (PSL-ES) relata que se baseou em matérias jornalísticas para afirmar, no plenário da Câmara, que não só o PSL, mas vários partidos, são suspeitos do uso de candidaturas laranjas nas eleições de 2018


postado em 16/10/2019 20:42 / atualizado em 16/10/2019 20:46

(foto: Divulgação/Câmara dos Deputados)
(foto: Divulgação/Câmara dos Deputados)
A deputada Soraya Manato (PSL-ES) afirmou, nesta quarta-feira (16/10), em entrevista ao Correio, que se baseou em matérias jornalísticas para afirmar, no plenário da Câmara, na terça-feira (15/10), que não só o PSL, mas vários partidos, são suspeitos do uso de candidaturas laranjas nas eleições de 2018. Segundo ela, o noticiário dá conta de que pelo menos 17 legendas estão na mira do Ministério Público por indícios do uso da cota de candidaturas femininas — de 30% — para fraudar as eleições. 

"Isso aí eu peguei de coisas divulgadas pela imprensa. Foi isso que eu peguei. Então é isso que eu tinha para falar. Não tenho mais nada a falar", afirmou a deputada.

Ela foi perguntada sobre possíveis contradições do PSL, que, principalmente na campanha do presidente Jair Bolsonaro, pregava o combate à corrupção e a moralização da política.

"Eu tenho que responder por mim. Tenho que responder pelo meu estado. É difícil, como que alguém vai controlar o estado, o Brasil todo? É muito complicado isso. Não é que é o PSL. Todos os partidos pregam a bandeira da transparência, da honestidade, mas às vezes tem determinadas coisas que devem fugir ao controle do partido. Numa empresa, num hospital e tudo mais. Quantas coisas que fogem do controle?", respondeu.

A parlamentar disse que já havia citado, há mais ou menos duas semanas, os partidos sob suspeitas de irregularidades, mas que voltou a abordar o tema em razão da provocação dos partidos de esquerda. 

"A esquerda fica o tempo todo falando dos laranjas do PSL, que nós somos laranjal, que nós somos corruptos. Eu já falei várias vezes: nós fomos eleitas, e muito bem eleitas, mostrando trabalho e tudo mais. Então, o Ministério Público está investigando não é só o PSL, porque são vários partidos. Então tem percentuais e vários partidos. Foi isso que eu falei" afirmou, acrescentando que quando o Ministério Público chegar a uma conclusão a verdade será conhecida.

De posse de uma lista com 17 partidos, ela citou cada um e o respectivo percentual de possíveis candidaturas laranjas: PROS (40%); PSC (37,5%); Podemos (35,5%); PTB (34,8%); PCdoB (31,1%); PR (28,5%); PRB (22,7%); DEM (22,4%); PDT (16,8%); Solidariedade (16,6%); PSL (15,9%); PPS (15,7%); PSDB (15,6%); MDB (14,6%)); PT (11%); PP (10,5%); Novo (2%).

Em outra frente da crise, o deputado Francisco Francischini (PSL-PR), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, disse que o partido está passando, como já ocorreu com outras siglas, um processo de amadurecimento.

"Eu acredito que essas brigas de partido são um amadurecimento. Todos os partidos constituídos no Brasil já passaram por esse amadurecimento, e o PSL, por ser uma bancada nova, que está no primeiro ano de sua primeira legislatura, ainda vai ter, com certeza, um pouco de bate cabeça. É algo normal, que ainda dá para superar, por meio do diálogo", disse o presidente da CCJ.

"Qualquer movimento com base no diálogo é um movimento importante. O que eu espero é que depois de toda essa crise, vamos dizer assim,  saia algo maior, saia um partido unificado, um partido forte para apoiar as pautas que nos trouxeram até a Câmara dos Deputados, e é isso que eu espero. Vocês acompanham meu trabalho todos os dias na CCJ e sabem que todas as minhas forças e todas a minha atribuição política está focada na CCJ", acrescentou, assegurando que não está diretamente envolvido nas discussões sobre a crise. 

"Eu acho que tem que se  fazer uma avaliação em grupo. O que falta para o PSL talvez seja sentar os cinquenta e três deputados na mesma sala, podendo dialogar, podendo até mesmo trocar farpas. O que eu espero é que esse diálogo possa acontecer. Todos os partidos políticos têm suas brigas internas, e o PSL passa por um amadurecimento", concluiu o presidente da CCJ.

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