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Correio Braziliense

Waldir: 'Eu vou implodir o presidente. Sou o mais fiel a esse vagabundo'

Líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (PSL-GO) xinga o presidente e ameaça implodir Bolsonaro. Áudio vazado de reunião entre deputados do partido revela planos do presidente de fundir PSL com o DEM


postado em 17/10/2019 16:44 / atualizado em 17/10/2019 16:49

(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O áudio de uma reunião de deputados federais do PSL insatisfeitos com a crise gerada dentro do partido pelo presidente Jair Bolsonaro foi vazado pela imprensa nesta quinta-feira (17/10). Na gravação, os parlamentares não poupam críticas ao chefe do Palácio do Planalto. Muitos utilizam palavrões para se referir ao presidente. Um dos mais alterados, Delegado Waldir (PSL-GO), líder do PSL na Câmara, diz que vai “implodir” Bolsonaro caso ele tente promover mudanças dentro da sigla.

“Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Eu tenho a gravação. Não tem conversa, não tem conversa. Eu implodo o presidente. Acabou o cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu votei nessa porra. Eu andei, no sol, 246 cidades no sol gritando o nome desse vagabundo”, esbraveja o deputado no áudio, divulgado pela Record TV.

As críticas de Waldir foram a uma suposta tentativa de Bolsonaro de convencer deputados a assinar um requerimento para que a liderança do PSL na Câmara fosse alterada. Na quarta-feira (16/10), áudios do presidente também foram tornados públicos. Neles, Bolsonaro reclama do deputado e diz que a única saída para o partido seria a destituição de Waldir do posto de líder que ele tem na Câmara.

“Em janeiro, eu saio (da liderança do PSL na Câmara). Aí, nós escolhemos outro líder. Em janeiro, eu saio. Agora, se ele (Bolsonaro) seguir com isso, eu vou implodir”, comenta Waldir ao grupo de deputados.

Na mesma gravação, é possível perceber as vozes dos deputados Luiz Luma (PSL-RJ), Loester Trutis (PSL-MS) e Felipe Francischini (PSL-PR). Este último reclama das ligações que Bolsonaro fez a parlamentares em busca de apoio, dizendo que “ele (Bolsonaro) nunca atendeu a gente em porra nenhuma” e que “só liga na hora que ele precisa de favor pra foder com alguém”. 

“A gente foi tratado igual cachorro desde o começo, desde que ele ganhou a eleição. (...) Explode a bancada, fode todo mundo. (...) Daí a gente vai assinar a liderança pra ele e achar que tá tudo bem? Porra. O que que ele tá oferecendo?”, pondera Francischini.

De acordo com ele, existe uma articulação envolvendo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para que o PSL seja fundido com o DEM. “Ontem, a gente foi na casa do Rodrigo (Maia). Tava o Mendonça (Filho, ex-ministro da Educação e filiado ao DEM), tava o Rodrigo Maia, ligando pro ACM (Antônio Carlos Magalhães Neto, presidente do DEM e prefeito de Salvador), comigo e com o Rueda (Antônio Rueda, vice-presidente do PSL). Eles estão ‘louco’ esperando pra fazer a fusão do Democratas com PSL. Eu tô tentando segurar essa porra, porque não quero que aconteça”, diz Francischini. 

“Se a bancada passar o recado que não tá acompanhando, eles vão fazer a fusão e vão liberar todo mundo aqui sem levar fundo (partidário), sem levar porra nenhuma. E o Democratas vai ficar com o dinheiro de todos vocês aqui. Então, não tem chances de dar certo o jogo do Palácio (do Planalto), porque eles não combinam o jogo com ninguém. Não tem chance, sabe? É impossível. Vocês querem ver o partido que a gente construiu na mão de Democratas?”, continua o deputado, questionando os colegas presentes na reunião.

Ameaças de Bolsonaro

No áudio vazado, os deputados pesselistas também relataram terem sido intimidados por Bolsonaro a assinar uma lista para tirar Delegado Waldir da liderança do PSL na Câmara. “Os meninos chegaram lá e o presidente disse: “Assina. Se não, é meu inimigo”. Quem é que não vai assinar? Eu não fui por isso, porque sabia que seria assim”, diz Dayane Pimentel (PSL-BA).

Na sequência, Luiz reforça a denúncia. “Eu não consegui não assinar”, confessa aos presentes na reunião. Loester Trutis é mais um que garante ter sido induzido a firmar o nome no requerimento.

Além disso, um parlamentar comenta: “Eu nunca fui tão assediado como agora. Ele (Bolsonaro) nunca ligou tanto pra mim desde a minha posse. Olha... Fiquei importante. Nada como um dia após o outro”.

Julian Lemos (PSL-PB) acrescenta que foi interpelado até pelo ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos. “Fui lá (encontrar o general Ramos) para resolver um assunto meu, e ele ligou para o Waldir na minha frente. Waldir foi ponto firme, segurou a onda. Aí o Ramos disse: “o Waldir tem que sair de hoje (quarta-feira, 16/10) para amanhã (quinta-feira, 17/10)”. Ele falou com o Bolsonaro, (disse que) ele já tinha conseguido os votos do outro lado e queria que eu conseguisse os daqui”, garantiu Lemos.

“Eu corri, corri de lá. Eu não posso fazer isso se eu não conversar com vocês e nem conversar com o Waldir. Eu não faço isso. Já ir me pedindo uma coisa é foda. Eu simplesmente pedi pra cagar e saí”, acrescentou o deputado federal.

Na quarta-feira, dois requerimentos foram apresentados à Secretaria-Geral da Mesa (SGM) da Câmara pedindo o afastamento de Delegado Waldir da liderança do PSL na Casa. O próprio deputado também entregou uma lista à SGM, na qual deputados defendiam a sua permanência no posto.

Diante disso, a Câmara fez uma conferência para validar a assinatura de cada uma das três listas. A que pedia a manutenção de Delegado Waldir como líder teve 29 assinaturas válidas, contra 26 e 24 das duas que pediam queriam uma troca na liderança do PSL na Casa. Dessa forma, o deputado foi mantido no cargo.

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