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Correio Braziliense

Ex-PSL, Alexandre Frota depõe na CPI das ''Fake News''

O parlamentar afirma que tanto a oposição quanto o governo usaram notícias falsas durante as eleições, porém, o grupo de Jair Bolsonaro teria continuado com a prática após assumir o poder


postado em 30/10/2019 14:10 / atualizado em 30/10/2019 16:51

Frota mostrou fotos de assessores do presidente que, segundo ele, trabalharam na campanha com disseminação de fake news(foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Frota mostrou fotos de assessores do presidente que, segundo ele, trabalharam na campanha com disseminação de fake news (foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Teve início, por volta de 13h20, a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) das Fake News, com depoimento de Alexandre Frota (PSDB-SP) e ex-membro do PSL. Frota começou disparando. Afirmou que tanto a oposição quanto o governo usaram notícias falsas durante as eleições, porém, o grupo de Jair Bolsonaro teria continuado com a prática após assumir o poder. Disse ter sido vítima de linchamento virtual, bem como o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e até mesmo a deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

Zambelli é da ala bolsonarista na crise do PSL. Alexandre Frota também apresentou o que chamou de um material de pesquisa que provaria que o guru do presidente, o astrólogo e escritor Olavo de Carvalho, convocou milícias virtuais para atacar o ex-pesselista. Frota mostrou fotos de assessores do presidente que, segundo ele, trabalharam na campanha com disseminação de fake news, e ainda trabalham com o presidente.

Presentes protestaram contra Frota e disseram que ele estaria atacando a “liberdade de imprensa”. O presidente da CPI, senador Ângelo Coronel (PSD-BA), disse que chamaria a segurança, se houvesse tentativa de intimidar o depoente. O agora PSDBista foi depor como convidado, e disse que teve a família e filhos ameaçados desde que entrou em confronto com o presidente da república.

Pelo menos quatro pessoas erguiam cartazes chamando o depoente de “traíra”. “Pensa que é super homem? Mas não é, viu, é de carne e osso”, teria escrito um militante de direita. Frota apresentou prints do ataque com o perfil do suspeito. Um dos perseguidores teria zero seguidores.

Bate-boca

O depoimento de Alexandre Frota (PSDB-SP) começou com bate-boca entre os membros e manifestações em plenário contra o depoente. O presidente da CPI, senador Ângelo Coronel (PSD-BA) teve de pedir que os manifestantes guardassem os cartazes, sob a insistência do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), de que o grupo fosse retirado do local.

A deputada Bia Kices (PSL-DF) também interrompeu Frota por diversas vezes quando ele a acusou de fazer uma postagem fake relacionando as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) com o ex-presidente Lula. Ela pediu direito de resposta, mas Ângelo Coronel manteve a palavra do depoente. A todo momento, pessoas gritavam “fora”.

Frota também apresentou uma pesquisa sobre o pedido de linchamento virtual contra a jornalista conservadora Rachel Sheherazade. Segundo ele, são os mesmos que atacaram o presidente do PSL, Luciano Bivar, o vice-presidente Hamilton Mourão, e outros aliados do presidente da República.

Direito de resposta

Acusada por Alexandre Frota (PSDB-SP) de disseminar fake news, Bia Kices (PSL-DF) teve direito de resposta durante a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) das Fake News na tarde desta quarta-feira (30/10). Ela disse que é honrada, reiterou que é deletou o material falso quando tomou conhecimento, mas se enrolou ao afirmar que não postou fake news, mas “notícia enganosa”. Também chamou de fake news a matéria da Globo sobre a morte da vereadora do PSol, Marielle Franco, relacionando o nome de Jair Bolsonaro ao caso.

O vídeo em questão é o que relaciona, falsamente, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) . “Sou uma pessoa muito honrada. Nunca propaguei fake news. O Alexandre Frota sabe disso. Andou comigo há muito tempo. Se tem alguém que é fake, não sou eu. De fato, eu recebi de uma fonte muito confiável, que eu não vou dizer o nome. Em razão da honradez dessa pessoa, eu tomei por verdadeiro o vídeo. Ela também foi enganada”, justificou a deputada.

“Pouco tempo depois, me disseram que o vídeo parece ser falso. Eu removi e fiz uma explicação aos meus seguidores, de que o vídeo poderia ser falso. Prezo pela minha integridade. Se alguém não é falso e nem produz fake news, sou eu. Nem na rede e nem como pessoa. Eu me mantenho fiel aos meus princípios. Difunde fake news quem, sabendo da falsidade dos fatos, continua a difundir. Repudio a afirmação. Rejeito esse tipo de imputação. Isso não tem nada a ver com notícia falsa. Tem a ver com uma pessoa que está aliada a outras para calar as redes. Onde pessoas comuns só tem voz nas redes”, afirmou Bia Kices.

Na sequência, a parlamentar atacou a oposição, dizendo que lutaram contra a censura, mas que são a favor de regular as redes, o que, na visão dela, também seria censura. Questionou, também, quem seria o burocrata que regularia a rede e diria o que pode e o que não pode ser dito.

“Vejo gente que lutou contra a censura defender essa CPMI. A CPMI é para fazer um terceiro turno nas eleições. Vamos falar a verdade. Desnudar o verdadeiro interesse da CPMI. A verdade dói quando contraria interesses como o que vimos ontem na Rede globo, fazer uma fake news, jogar na cara do povo, como se o presidente, esse homem honrado, pudesse ter alguma coisa a ver com esse crime da Marielle. Eu não quero ninguém regulando a rede, regulando a minha voz”, afirmou.
 
Frota ironizou. “Eu quero agradecer a deputada por reconhecer que ela postou fake news. Também em um passado mais recente, ela compartilhou outra fake news, a suposta overdose de cocaína do Glen”, provocou. Nesse momento, ela protestou. “Não postei fake news, postei uma notícia enganosa”, reclamou.

Troca de Farpas

O líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP) trocou farpas com Alexandre Frota (PSDB-SP) durante a sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito, na tarde desta quarta-feira (30/10), no Senado. Em um dos momentos, o filho do presidente da República afirmou que o depoente era menos promíscuo “quando fazia filmes pornôs”. “Mas você assistia muito”, rebateu o PSDBista arrancando risos de outros parlamentares.

Eduardo Bolsonaro pediu tempo de líder, falou, não fez perguntas e saiu antes que pudesse ouvir qualquer posicionamento de Alexandre Frota. Ainda o desafiou. Disse que se reencontrariam em 2022, e o, agora, adversário, veria o julgamento do povo. “O apressado come crú”, afirmou, no que frota ironizou novamente, repetindo o ditado e ocultando a letra “R” da última palavra.

“Só a presença de Frota aqui é um escárnio com a sociedade brasileira. O senhor propagou uma fake news do Olavo de Carvalho que ele desmentiu. Eu tenho mais o que fazer. Conheci o senhor quando o senhor mendigava carona para JB. Disputava quem o levaria para à Jovem Pan. O que se passa pela sua cabeça?”, afirmou Eduardo Bolsonaro. “O que passa na minha cabeça só interessa a mim”, respondeu Frota.

“As pessoas tem aversão a essa conduta. Não tenho medo dessa conduta. O senhor é só mais um. Traíra. Você era menos promíscuo quando fazia filme pornô”, rebateu. “Mas você assistia muito”, satirizou Frota.

“Rui Falcão (PT-SP) perguntando para Alexandre Frota se é direita ou esquerda. Ele não tem intelecto para se colocar. Os petistas parecem ignorar que Lula é acusado da morte do prefeito Celso Daniel. Tem acusações que podem dar impeachment? Só quero fazer esses registros. Essa CPMI não serve para outra coisa, se não, para criar essa narrativa. O próprio deputado Alexandre Leite disse que ia investigar outras coisas. Mas, CPMI, a gente sabe como começa, mas não sabem como termina. Vão charam o Frota, Caetano Veloso, Bruno Gagliasso? Eu vou sair, pois tenho mais o que fazer. Espero que as pessoas que estão assistindo se deleitem com esse conto de fadas”, disse Eduardo Bolsonaro.

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