Jornal Correio Braziliense

Politica

Fixação em novo partido

O namoro entre o presidente Jair Bolsonaro e o PSL chegou ao fim. O chefe do Executivo federal ainda não oficializou o desembarque da sigla, mas flerta com outra que sequer existe ainda, o Partido Militar Brasileiro, e não descarta criar uma legenda. Segundo a revista Veja, ele sairá do PSL no próximo dia 15, data da Proclamação da República, quando também deve anunciar um novo partido.

Questionado, no sábado, se cogita uma transferência para o Partido Militar Brasileiro, Bolsonaro fez uma analogia sobre relacionamento em que afirma estar solteiro. ;Sou menina bonita sem namorado. Fico muito feliz em ter vários convites;, declarou. A nova legenda é articulada pelo coordenador da bancada da bala no Congresso Nacional, deputado Capitão Augusto (PL-SP), e está em fase final de criação, aguardando o aval do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No domingo, em entrevista ao Domingo Espetacular, da TV Record, ele disse que há ;80% de chances; de deixar o PSL e ;90%; de criar um partido para se filiar. ;O meu sonho é criar um partido (...), podemos coletar assinaturas de forma eletrônica. Até março, eu teria um partido e, com quase uns seis mil municípios, talvez umas 200 candidaturas pelo Brasil. Eu teria como escolher, de fato, quem concorreria para aquela prefeitura;, explicou.

O processo de criação de uma legenda, porém, não é simples. O advogado eleitoral Eduardo Tavares explicou que o caminho é burocrático. Bolsonaro precisará do apoio de eleitores não filiados a partidos políticos que correspondam a pelo menos 0,5% dos votos recebidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. O número corresponde a 492.015 assinaturas.

Os votos ainda devem estar distribuídos por, ao menos, um terço das unidades federativas, ou seja, nove estados, com o mínimo de 0,1% do eleitorado que tenha votado em cada um deles. Após a fundação e a elaboração do estatuto do partido, precisaria registrar em cartório, ter a ata de partido publicada no Diário Oficial da União com a relação dos fundadores, e por fim, o registro no TSE. ;Ele levaria os deputados que já conta, mas não seria garantia de governabilidade;, avaliou Tavares. (RC e IS)




Santa Rosa pede demissão
O general da reserva Maynard Marques de Santa Rosa pediu, ontem, demissão da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência. A função era subordinada à Secretaria-Geral da Presidência, que tem como ministro-chefe Jorge Antônio de Oliveira Francisco. Além de Santa Rosa, a informação é de que outros cinco militares também deverão entregar os cargos, acompanhando o general. Santa Rosa era o último secretário nomeado pelo ex-ministro da pasta Gustavo Bebianno, demitido em fevereiro pelo chefe do Executivo. Interlocutores palacianos afirmaram ao Correio que a saída do secretário foi motivada por um desgaste na relação com o ministro-chefe, Jorge Oliveira. Maynard havia assumido o posto em 14 de janeiro.