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Correio Braziliense

Troca de farpas marca mais uma reunião da CPMI das Fake News

Suspeito de participar de uma rede de divulgação de notícias falsas e de linchamento virtual, com assessores do Palácio do Planalto, jornalista Allan dos Santos, dono do site Terça Livre, mantém silêncio sobre acusações ao depor na CPMI das Fake News


postado em 06/11/2019 06:00

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
Na 9ª reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, foi a vez dos governistas agirem. Convocado para depor, o jornalista Allan dos Santos, dono do site Terça Livre, mostrou-se articulado e incisivo nas colocações, enquanto a oposição demonstrou nervosismo e dificuldade para inquirir o depoente. Além disso, a sessão ocorreu sob constantes trocas de farpas e bate-boca entre deputados e senadores. Foi ainda mais nervosa que a de 30 de outubro, quando compareceu Alexandre Frota (PSDB-SP). O depoimento desta quarta-feira (6/11) será técnico, destinado a sites checadores de notícias e, na próxima terça, a convidada será a pesselista Joice Hasselmann (SP).

Allan dos Santos foi convocado mediante requerimento do deputado Rui Falcão (PT-SP) e foi acusado por Frota, na sessão anterior, de liderar, junto com o escritor Olavo de Carvalho, uma rede de disparo de fake news e linchamento virtual, além de agir diretamente com assessores da presidência da República nesses ataques. No início da sessão, a relatora, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), apresentou, como exemplo de notícias falsas, uma série de divulgações do site Terça Livre. Entre elas, uma matéria contra o Instituto Alana, em que o jornalista foi condenado a dar espaço para direito de resposta, e a matéria que afirmava que Glenn Greenwald, dono do site Intercept Brasil, teria sofrido um ataque cardíaco por uso de cocaína.

O depoente se saiu bem na primeira resposta. Destacou que já tinha vencido outros processos nessa mesma matéria e que direito de resposta não configura prova de que a matéria seria fake news. No caso de Glenn, no entanto, disse que só a vítima da divulgação poderia interpelá-lo na Justiça, apelou pelo direito de sigilo da fonte e se recusou a falar. Provocado pelo deputado David Miranda (PSol-RJ), marido de Glenn, que negou o infarto e mostrou um vídeo do jornalista com o companheiro e os filhos em casa, o dono do Terça Livre disse que somente acreditaria se essas provas fossem comprovadas na Justiça.

Nervosismo

Na oposição, couberam aos deputados Natália Bonavides (PT-RN) e Túlio Gadêlha (PDT-PE) protagonizarem os momentos de maior sensatez. Nenhum se deixou dominar pelo nervosismo. A Bonavides, Allan dos Santos se recusou a responder, mais uma vez, a respeito do suposto infarto de Glenn Greenwald, e também se reservou o direito de ficar calado ao ser questionado se já teria recebido os assessores da presidência integrantes do chamado Gabinete do Ódio, em sua residência. À direita, Caroline de Toni (PSL-SC) e Filipe Barros (PSL-PR) procuraram fortalecer o jornalista. O parlamentar paranaense insistiu com o presidente da CPMI, Ângelo Coronel (PSD-BA), que representantes da Rede Globo fossem chamados a depor.

O presidente da CPMI disse ter notado divergência entre os depoimentos de Allan e de Frota. Allan começou concordando em abrir o sigilo bancário, mas, ao final, por sugestão da deputada Bia Kicis (PSL-DF), mudou de ideia. Porém, o plano é que o PT entre com um pedido para a quebra dos sigilos. “Depois das quebras dos sigilos bancário, fiscal e telefônico, é que vamos aferir quem é que falou a verdade. Esse é o marco da CPMI, esclarecer a verdade doa a quem doer. Não estou aqui para defender nem governo Bolsonaro nem tampouco PT e nenhuma outra agremiação política”, afirmou Ângelo Coronel.

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