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Correio Braziliense

PF abre inquérito para investigar se porteiro que citou Bolsonaro mentiu

Funcionário do Condomínio Vivendas da Barra, onde o presidente tem casa, afirmou que ligou para a casa do chefe do Executivo para obter autorização para que um dos suspeitos entrasse no local. Presidente estava em Brasília no dia do fato


postado em 06/11/2019 19:37 / atualizado em 06/11/2019 19:54

(foto: RENAN OLAZ)
(foto: RENAN OLAZ)
A Polícia Federal atendeu pedido do Ministério Público Federal (MPF) e abriu inquérito para apurar se um dos porteiros que prestaram depoimento no âmbito das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco mentiu ao citar o presidente Jair Bolsonaro. O funcionário do Condomínio Vivendas da Barra, onde o chefe do Executivo tem casa, afirmou que o ex-PM Élcio de Queiroz, suspeito pela morte de Marielle, foi até o local em março do ano passado, horas antes da vereadora ser assassinada. 

 

Ao se identificar na guarita, Élcio teria dito que iria para a casa de Jair Bolsonaro. O porteiro então disse, em depoimento a Polícia Civil do Rio, que telefonou para a casa de número 58, onde Bolsonaro morava até janeiro deste ano,e disse que a entrada de Élcio foi autorizada pelo morador que ele identificou como "Seu Jair".

 

Ainda de acordo com o depoimento, ao entrar no residencial, Élcio se dirigiu a residência de número 65, pertencente a Ronnie Lessa, outro suspeito do homicídio.

 

A visita de Élcio ao local teria ocorrido em 14 de março do ano passado, horas antes de Marielle e o motorista dela, Anderson Gomes, serem assassinados no centro do Rio. Naquele dia, o presidente Jair Bolsonaro estava em Brasília. Essa informação foi confirmada por registros da Câmara dos Deputados e também por lives que ele realizou em seu gabinete e nas dependências do Congresso.   

 

Investigação

 

Gravações da portaria do Condomínio Vivendas da Barra divulgadas pelo vereador Carlos Bolsonaro revelam que com a chegada de Élcio, um dos porteiros ligou para a casa 65 e quem autorizou a entrada do dele foi Ronnie Lessa.

 

No entanto, de acordo com o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a Polícia Civil sabe que o porteiro que realizou a ligação para a casa de Lessa não é o mesmo que afirmou em depoimento ter obtido autorização de "Seu Jair" para liberar a entrada de Élcio. Durante as diligências, a PF vai investigar se o funcionário do local mentiu, e quais foram os motivos dele ter eventualmente prestado informações falsas.

 

Além disso, os investigadores também querem saber como funciona o sistema de ligação do condomínio e se as chamadas podem ser efetuadas automaticamente para o celular dos moradores, como ocorre em alguns sistemas de comunicação instalados nesses empreendimentos. A depender do resultado das investigações, um trecho das investigações pode ser enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) para análise. 

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