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Correio Braziliense

Bolsonaro cancela entrevista coletiva após libertação de Lula

Do estádio, Bolsonaro seguiu para a inauguração do escritório político do Major Vitor Hugo, líder do governo na Câmara.


postado em 08/11/2019 18:26 / atualizado em 08/11/2019 19:00

Presidente Jair Bolsonaro durante evento para entrega de ônibus escolares, em Goiás(foto: Isac Nóbrega/PR)
Presidente Jair Bolsonaro durante evento para entrega de ônibus escolares, em Goiás (foto: Isac Nóbrega/PR)
Goiânia (GO) — O presidente Jair Bolsonaro cancelou uma entrevista coletiva que daria depois da entrega de ônibus escolares em Goiás. Tudo para não comentar sobre a libertação do ex-presidente Lula. A equipe de Bolsonaro havia levado os repórteres para uma sala no estádio Serra Dourada, onde ocorreu a entrega dos veículos, mas, minutos depois, todos foram avisados de que o presidente não falaria mais. 

 

Durante a cerimônia em que entregou 214 ônibus em Goiânia, no Estádio Serra Dourada, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tentou disfarçar o semblante ao saber da notícia de que o ex-presidente Lula havia sido solto. No minuto em que um dos assessores apresentou a ele a informação, ele falou ao ouvido do ministro da Educação, Abraham Weintraub.

 

Ao discursar na solenidade, Bolsonaro não tocou no assunto. Mas suas ações demonstraram a contrariedade do peselista. Uma coletiva de imprensa que estava prevista para acontecer após a entrega dos ônibus, foi cancelada no último minuto. Os órgãos de imprensa já estavam posicionados e mesmo funcionários da comunicação do governo foram pegos de surpresa com a atitude do presidente, que tiveram que sair correndo atrás do chefe do Executivo.

 

Em seguida, Bolsonaro compareceu a uma outra agenda, de inauguração do escritório político do deputado Major Vitor Hugo, líder do PSL na Câmara. Bolsonaro fez um rápido discurso onde elogiou o deputado. Depois, Bolsonaro fugiu novamente das perguntas da imprensa, embarcando em seguida para Brasília.

 

Na entrega de ônibus, Bolsonaro falou sobre o horário de verão, afirmando que a ‘grande maioria gostou da ideia’ e ‘vamos seguir assim’. O presidente ainda sinalizou uma mudança nos livros didáticos para 2021.

 

“A garotada, a partir de 2021, terá uma nova maneira de se educar. Tivemos há pouco a primeira parte do Enem. Ninguém foi deseducado nas questões apresentadas e ninguém será deseducado nesta segunda parte, no domingo. Queremos colocar matérias onde a grande maioria reconheça a família, o valor do estado brasileiro e respeite as crianças em sala de aula, sem ideologia. Queremos que estude sim, sabendo que o que lhes será cobrado será aquilo que seus pais querem e aquilo que interessa ao nosso Brasil. Vamos ensinar sem ideologia”, concluiu Bolsonaro.

 

Weintraub, que discursou antes, afirmou que ‘a escola ensina a ler, ensina a escrever, ensina a fazer conta, ensina uma profissão. Quem educa é a família’. “Esse negócio de Ministério da Educação começou com Getúlio Vargas e caiu como uma luva para os vermelhinhos. Os vermelhinhos querem dizer como a gente educa os nossos filhos. Não é o Estado que tem que dizer como a gente educa”, apontou.

 

O ministro da Educação aproveitou para alfinetar Lula. “A gente batalha pela educação, batalha pela liberdade. Quem não sabe ler é escravo, quem não lê a bíblia não consegue contestar com seu pregador. Não consegue se livrar do ‘bolsa esmola’. Fica refém daquele que diz: ou vota em mim ou eu corto a bolsa”, atacou.

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