Publicidade

Correio Braziliense

Compliance é importante no combate à corrupção, diz ex-ministro

Durante congresso de advocacia pública em Salvador (BA), Valdir Simão, ex-ministro do Planejamento e da Controladoria-Geral da União, explicou que as medidas podem otimizar a fiscalização do Estado no setor privado


postado em 08/11/2019 19:55

(foto: AFP PHOTO/EVARISTO SA)
(foto: AFP PHOTO/EVARISTO SA)
Salvador (BA) – A detecção e prevenção de corrupção dentro dos setores públicos e privados podem ser alcançados por qualquer instituição mediante a adoção de sistemas de compliance e de integridade, afirmou Valdir Simão, ex-ministro do Planejamento e da Controladoria-Geral da União, durante o 4º Congresso Nacional dos Advogados Públicos Federais (Conafe), em Salvador.

 

“O que vejo hoje é que os sistemas de compliance e integridade representam, ou podem representar, a longa manus do Estado dentro da empresa, não mais a quilômetros de distância mas, agora, no mesmo prédio e, talvez, no mesmo andar. É o Estado no cangote do administrador empresarial”, explicou.

 

Simão lembrou que compliance tem como finalidade gerar valor ao negócio e assegurar a sobrevivência da empresa, enquanto a integridade é vista como condição fundamental da boa governança, por meio da integração de instrumentos e de áreas de gestão e de controle. 

 

“Com esses mecanismos, a empresa terá ainda mais interesse em apurar ilícitos e se antecipar e corrigir os seus efeitos”, analisou. No entanto, Simão frisou que “é preciso que esse processo se dê na base da boa-fé e da confiança mútua”. “Se nós não compreendermos que os ilícitos acontecerão por mais íntegro que seja o ambiente de negócios, estaremos nos enganando. Eles acontecerão aqui e ali. Por isso, é preciso que o instrumento funcione adequadamente”, comentou.

 

Segundo ele, “o Brasil vem avançando significativamente no combate à corrupção” e “o estado brasileiro está muito mais preparado e aparelhado para o seu enfrentamento”. “Há uma percepção de que a corrupção é um mal inclusive para o ambiente de negócios. Distorce a concorrência, afasta o bom investidor, torna o relacionamento do Estado com o setor privado bastante inseguro e complexo”, disse.

 

“A boa notícia é que o próprio setor privado vem fazendo investimentos maciços para evitar que atos de corrupção sejam praticados nas empresas pelos seus representantes ou por intermediários. A administração pública tem um papel central primeiro para estimular cada vez mais esse comportamento e privilegiar a transação dos acordos, garantindo que essa relação entre setor público e o setor privado esteja sendo pautada pela ética e pela boa-fé”, acrescentou.

 

Diretor de Governança e Conformidade da Petrobras, Marcelo Zenkner também defendeu a importância do compliance e da integridade. “O importante para o profissional dessa área é mostrar que colocar dinheiro na integridade, num sistema de compliance não é uma despesa, e sim, um investimento”, opinou. 

 

“O melhor lugar para se viver não é aquele onde mais se limpa, mas sim, aquele onde menos se suja. Quanto mais transparente for a empresa ou a pessoa jurídica, mais íntegra ela será. Quem faz as coisas certas não tem nenhuma preocupação em esconder absolutamente nada”, completou Zenkner.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade