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Correio Braziliense

Depois de 580 dias preso, Lula sai da cadeia e dispara contra o governo

No discurso após deixar a prisão em Curitiba, o ex-presidente diz que o Brasil piorou na gestão Bolsonaro e dispara contra ''lado podre da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal''. Petista participa hoje de evento no ABC Paulista e anuncia caravana pelo país


postado em 09/11/2019 07:00

Lula foi cercado por centenas de apoiadores em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba: promessa de ''discurso à nação'' neste sábado (9/11)(foto: HENRY MILLEO / AFP)
Lula foi cercado por centenas de apoiadores em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba: promessa de ''discurso à nação'' neste sábado (9/11) (foto: HENRY MILLEO / AFP)
No discurso ao sair da prisão, após 580 dias encarcerado na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou que, fora da cela, vai intensificar a polaridade política pela qual passa o país e ser um forte opositor do governo. Em suas primeiras declarações, no Acampamento Lula Livre — montado por apoiadores a poucos metros de onde ele cumpria pena —, o petista não poupou críticas ao presidente Jair Bolsonaro e disparou contra integrantes da Operação Lava-Jato e contra o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça.


Lula deixou a sede da Polícia Federal em meio a centenas de apoiadores, aos quais agradeceu pela vigília ao longo dos quase 600 dias. A ordem de soltura dele foi assinada às 16h21 pelo juiz Danilo Pereira Júnior, responsável pela 12ª Vara Federal de Curitiba, em razão da ausência da titular Carolina Lebbos. O magistrado acatou um pedido da defesa do petista para que ele fosse colocado em liberdade de forma imediata. Danilo Pereira Júnior se baseou na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe a prisão após condenação em segunda instância.

No discurso, Lula atacou a força-tarefa Lava-Jato. “O lado podre da Justiça, do Ministério Público e da Polícia Federal fez isso comigo. Tentaram criminalizar a esquerda, criminalizar o PT e criminalizar o Lula”, disparou o ex-presidente. “Se pegar o Dallagnol, o Moro e alguns delegados, enfiar e bater num liquidificador, o que sobrar não é 10% da honestidade que eu represento neste país”, alfinetou, numa referência, respectivamente, ao chefe da força-tarefa do Ministério Público Federal em Curitiba e ao ex-juiz da Lava-Jato. “Eles têm de saber que caráter e dignidade não é uma coisa que a gente compra em shopping center, em feira ou no bar”, emendou ele, que tinha ao seu lado, entre outros, a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e a namorada, Rosangela da Silva.

As críticas ao governo miraram nas políticas econômicas e sociais. “O Brasil não melhorou. Piorou. O povo está trabalhando de Uber, de bicicleta para entregar pizza. Está trabalhando sem o menor respeito”, acusou ele, que, em seguida, citou diretamente o presidente Jair Bolsonaro. “Este país pode ser muito melhor na hora que ele tiver um governo que não minta tanto pelo Twitter como Bolsonaro”, disse. O petista comparou Fernando Haddad, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2018, ao atual ministro da Educação e disse que Abraham Weintraub é “grosseiro” e está “destruindo a educação brasileira”.

Dentro do carro usado para buscá-lo na sede da PF, após falar com os manifestantes, Lula voltou a criticar Bolsonaro. “Depois de eleger um presidente com base em fake news, com base na mentira, os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o povo brasileiro está vivendo pior. Está mais desempregado. Isso é muito triste”, afirmou. No entanto, depois dos duros ataques, Lula voltou ao figurino “paz e amor”. “Eu não quero ficar falando mal de presidente, de ministro. Quero provar que é possível fazer um país sem ódio, com mais emprego, com mais comida na mesa e escolas técnicas, mais universidades, mais qualidade de ensino”.

Planos

Hoje, Lula deve participar de um evento no Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC Paulista. Foi no mesmo local em que o petista se entregou para a PF, em abril do ano passado. Ele afirmou que “fará um discurso à nação”. O ex-candidato à Presidência Guilherme Boulos, líder do MTST, convocou a militância para o local.

Nas próximas semanas, Lula pretende sair em caravana pelo Brasil. Ele anunciou essa intenção ainda quando estava preso. O ex-presidente tem como objetivo unificar a esquerda em meio à intensa polarização política. A caravana deve começar pelo Nordeste, onde ele ainda obtém a maior base de apoio.

 

 

Futura esposa

 

» Na multidão que cercava Lula em frente à carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, destacava-se a socióloga Rosangela da Silva, que, após recepcionar o namorado, encostou a cabeça em seu ombro, enquanto seus simpatizantes o cumprimentavam. Lula, um viúvo de 74 anos, mencionou em várias ocasiões, nesses últimos meses do cárcere, a relação amorosa com Janja, apelido de Rosangela, e seu desejo de se casar com ela assim que estivesse em liberdade. Ao citar o nome dela em seu agradecimento diante dos apoiadores, o ex-presidente foi interrompido por gritos de “beija, beija”, pedido a que os dois atenderam. Rosangela visitou Lula na prisão em várias ocasiões. Ela mora em Curitiba, embora seja de São Paulo. Teria conhecido Lula em 1993, quando ele percorria o país em suas “caravanas da cidadania”. O romance, contudo, teria começado em dezembro de 2017. Em fevereiro daquele ano, Lula ficou viúvo de Marisa Letícia Rocco.

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