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Correio Braziliense

Bolsonaro chama aliados para reunião; tema será mudança de partido

A princípio, Bolsonaro não migraria para outra legenda. Existe uma tendência para que o presidente anuncie a coleta de assinaturas para criar um novo partido


postado em 11/11/2019 17:56 / atualizado em 11/11/2019 17:57

(foto: Evaristo Sa/AFP)
(foto: Evaristo Sa/AFP)
Cerca de 10 deputados do PSL foram chamados para reunião com Jair Bolsonaro, nesta terça-feira (12/11), no Palácio do Planalto. Alguns convidados disseram esperar que o presidente anuncie a saída do partido.

A princípio, Bolsonaro não migraria para outra legenda, ao menos a curto prazo. Existe uma tendência para que o presidente anuncie a coleta de assinaturas para criar um novo partido, que ainda não tem nome. O encontro serviria também para esse propósito: buscar apoio para construir uma nova sigla.

Na última reunião com os aliados do PSL, antes da viagem aos países árabes e à China, Bolsonaro disse que a situação no partido está ficando insustentável e pediu para os advogados o alertassem sobre como evitar atitudes que pudessem dificultar a saída dele do partido.

Uma particularidade do PSL é que o presidente, deputado Luciano Bivar (PE), é classificado pelo estatuto como "presidente vitalício". O cargo traz problemas a Bolsonaro e os filhos, o deputado Eduardo (SP) e o senador Flávio (RJ) -- Carlos não é filiado ao PSL --, que sentem-se "amarrados" pela impossibilidade de presidir o partido.

Cogitou-se, em determinados momentos, tratar Bivar como uma figura decorativa, que detém o cargo mas não tem poder real. "Como a Rainha da Inglaterra, que presidente o Parlamento mas não pode opinar sobre política. É o símbolo de uma monarquia republicana. Ela existe e é respeitada, mas não manda no país", diz um dos articuladores desta ideia.

Desde outubro, Bolsonaro definiu que deixaria o PSL. Aguardava, no entanto, o cenário favorável para efetivar o desembarque. Aliados de Bolsonaro veem na saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da cadeia o momento ideal para que o chefe do Executivo se distancie da legenda e evite que o desgaste do PSL seja usado contra ele.

Há meses, o partido está envolvido em um escândalo sobre possíveis candidaturas laranjas em Minas Gerais e em Pernambuco. Ainda assim, detém a maior bancada da Câmara, com 53 deputados, e três senadores. Dos 53 parlamentares, ao menos 20 estariam dispostos a seguir Bolsonaro.

O que traz resistência a alguns é o polpudo cada do partido, que, no ano que vem, receberá R$ 245 milhões do Fundo Eleitoral e R$ 113 milhões do Fundo Partidário.

Parlamentares livres

O líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP), comentou sobre a reunião. Ele considerou provável que o chefe do Executivo federal anuncie o desligamento do partido. No encontro, seis deputados da legenda estão proibidos de entrar. Dentre eles, a ex-líder da sigla no Congresso, Joice Hasselmann. Ela disse que iria com ele se fosse essa a decisão. O encontro deverá acontecer por volta de 16h. 

"Amanhã, às 4h, haverá reunião no Planalto, junto com a maioria dos deputados do PSL, ressalvado meia dúzia que tem entrado em conflito frontal com o presidente, e a gente vai decidir essa questão partidária. Se vai ser um novo partido, se a gente vai decidir migrar para partido já existente, ou quais estão dispostos... Isso, vamos decidir amanhã. É um momento chave para os deputados que estão no PSL", afirmou.

Ainda segundo Eduardo Bolsonaro, os parlamentares ficarão livres para decidir o que farão. "O presidente não anunciou a saída do PSL. Não sei se é isso que ele vai fazer amanhã. Eu acho provável. Quem der um furo desse, eu não posso confirmar. Tudo indica que sim. Mas vamos bater um papo com a maioria do PSL. Mas não é ditadura Quem quiser ficar, pode ficar. A gente vai bater um papo amanhã. Se ele for pra Lua, vou com ele”, disse.

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