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Correio Braziliense

Paulo Guedes quer investir no livre comércio com a China

Ministro diz que governo iniciou conversas com a China em torno de um acordo para eliminação de tarifas nas exportações e importações entre os dois países. Segundo ele, o Brasil precisa se integrar às cadeias globais de produção


postado em 14/11/2019 06:00

De acordo com o chefe da pasta da Economia, também há amplo espaço para ampliar negócios com a Índia(foto: Ricardo Padue/FUNAG)
De acordo com o chefe da pasta da Economia, também há amplo espaço para ampliar negócios com a Índia (foto: Ricardo Padue/FUNAG)
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Brasil quer ampliar e diversificar o comércio com a China. Em pronunciamento durante seminário sobre o New Development Bank (NDB), o banco do Brics, o ministro afirmou que foram iniciadas conversas com os chineses em torno de um acordo de livre -comércio entre os dois países, ou seja, um tratado pelo qual a maior parte ou todos os bens e serviços importados e exportados dos dois lados seriam isentod de tarifas. Guedes, porém, não deu detalhes. “Já fizemos acordo com a União Europeia e agora estamos conversando sobre ‘free trade’ (livre-comércio)”, afirmou.

A formalização de um acordo desse tipo, no entanto, não é algo que dependa apenas do Brasil. Como o país é membro do Mercosul, e as regras do bloco exigem a concordância de todos os sócios em negociações comerciais com terceiros países, seria preciso o apoio de Uruguai, Paraguai e Argentina. Guedes, no entanto, mostrou pressa: “Queremos nos integrar às cadeias globais de produção. Já perdemos tempo demais”, disse

O ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, consultor da Barral M Jorge Consultores Associados, acredita que ainda tenha uma fila de países à frente da China, com quem o Brasil já tem negociações de comércio em andamento. “Não é tão simples assim, ainda mais com países tão grandes quanto a China. A abertura comercial com outros países, como o Canadá, por exemplo, deve vir bem antes que essa”, comentou.

De acordo com os dados oficiais, as exportações brasileiras para o gigante asiático alcançaram US$ 51,53 bilhões, de janeiro a outubro deste ano. No mesmo período, as importações de mercadorias daquele país atingiram US$ 30,07 bilhões. Ou seja, o saldo comercial, em 32019, está favorável ao Brasil em US$ 21,45 bilhões.

Competitividade

Embora a China seja so maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, Barral destaca que as empresas brasileiras têm dificuldades para exportar coisas além de commodities, como soja, petróleo e minério de ferro. “Outra coisa é que a questão de falta logística do Brasil é uma grande barreira para o comércio exterior, tem um custo imenso na indústria brasileira. Então, primeiro tem que tornar mais eficiente, implementando infraestruturas, à medida em que a economia se estabilize”, afirmou.

A diferença de competitividade entre as economias do Brasil e da China é um dos motivos que leva empresários, sobretudo do setor industrial, a ver com cautela a possibilidade de um acordo de livre-comércio entre os dois países. O temor é de uma invasão de produtos chineses que acabe por inviabilizar setores produtivos brasileiros.

Guedes também ressaltou o espaço de negociações com a Índia, outro parceiro do Brics com o qual o volume de troca comercial com o Brasil está em torno de US$ 4 bilhões ao ano. “Estamos bem atrasados nas possibilidades com a Índia. O maior ‘upside’ (expansão) de comércio é com a própria Índia, pois o comércio é limitado. Há um enorme espaço. Não temos nada ainda realizado em termos de comércio”, disse.

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