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Correio Braziliense

ABI apresenta ação no STF contra Bolsonaro e o filho nº ''02''

A razão é uma suposta obstrução de Justiça nas investigações da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes


postado em 15/11/2019 22:56 / atualizado em 16/11/2019 00:05

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) entrou com uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e o filho, o vereador Carlos Bolsonaro por suposta obstrução de Justiça nas investigações da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

No documento, a associação pede busca e apreensão das gravações do circuito interno de câmeras e do material obtido por ambos. A petição foi motivada pela informação, dada por Bolsonaro, de que ele e o filho pegaram a gravação das ligações da portaria do condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, onde ambos possuem residência. De acordo com o presidente, a ação foi feita para “evitar adulteração do conteúdo”. O pedido foi encaminhado em 8 de novembro e tornou-se público nesta sexta-feira (15). 

Uma reportagem do Jornal Nacional mostrou que Élcio de Queiroz, um dos acusados de matar a vereadora e o motorista, no dia do crime teria pedido para ir à casa 58 (residência do presidente), quando chegou ao condomínio, horas antes do assassinato. Ainda segundo a reportagem, o porteiro do condomínio Vivendas da Barra teria anotado que "seu Jair" dera autorização para que o suspeito entrasse. Bolsonaro estava em Brasília no dia. Posteriormente, o Ministério Público confirmou que o porteiro que envolveu o nome do presidente na morte da vereadora mentiu em depoimento à Polícia.

Após a reportagem, o presidente afirmou que teve acesso às gravações de ligações do interfone do condomínio e que ninguém na casa 58 autorizou a entrada de Élcio Queiroz. O filho, Carlos, também publicou nas redes sociais a relação de áudios da portaria no dia do crime.

A ABI alega que ambos "acessaram, em data ainda imprecisa, por meios impróprios, elementos probatórios de uma investigação criminal sigilosa e em andamento, os quais poderiam elucidar o iter criminis percorrido pelos principais suspeitos do assassinato", diz um trecho da petição.

A associação diz que os atos "carecem de investigação". “É imperioso verificar quando e de que modo ocorreu o acesso" às gravações da portaria, e também se a Polícia Civil já havia realizado a coleta e perícia dos áudios, "o que até o momento segue sem razoáveis esclarecimentos".

A petição está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, que também é o relator de uma outra notícia-crime, protocolada pelos mesmos motivos, dessa vez, pelo PT, em 5 de novembro. O partido alega que pode ter havido crime de responsabilidade. 

Passando o feriado da Proclamação da República em São Paulo, Bolsonaro acusou o PT nesta sexta-feira (15) de “ir para cima” do filho “02” no caso Marielle Franco. 

“Vi uma matéria de que o PT quer uma busca e apreensão na casa do meu filho. O pessoal pensa, o que é busca e apreensão? Está metido com que coisa de errado? Eles querem saber se tem alguma ligação com o caso Marielle. Não conseguiram nada comigo, vão para cima de um filho meu agora. É muita marola e isso deixa a gente chateado”, apontou.

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