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Correio Braziliense

Collor acredita que criação de partido de Bolsonaro não tem avanço político

Para o senador do Pros, faltaram conselhos a Bolsonaro de pessoas próximas, para que pudessem convencer o presidente de que a decisão de deixar o PSL seria um equívoco


postado em 20/11/2019 17:03 / atualizado em 20/11/2019 17:04

(foto: Reprodução/TV Brasília)
(foto: Reprodução/TV Brasília)
Em entrevista concedida ao programa CB.Poder, uma parceria do Correio com a TV Brasília, na tarde desta quarta-feira (20/11), o ex-presidente da República e senador, Fernando Collor de Mello (Pros-AL), afirmou que a criação de um partido sob a alçada do presidente Jair Bolsonaro não apresenta avanço político nenhum. 

"Foi uma medida muito pessoal por parte do presidente. Deixar de mão um partido com 52 parlamentares, que seriam o núcleo da construção do bloco de sustentação do governo e entrar nessa seara de criação de um partido, é uma coisa que eu acho que não seria muito apropriada", afirma Collor. Para ele, faltou um melhor aconselhamento por parte de pessoas próximas a Bolsonaro, para que pudessem convencê-lo de que a decisão "seria um erro".

Segundo o senador, o presidente precisa ter, não só o apoio eventual em determinadas pautas no Congresso, mas também precisa ter a solidariedade dos parlamentares. "Eu não consigo perceber ainda ele conseguindo se articular com o Congresso. Mas eu realmente espero que um dia ele consiga", destacou. 

Durante a entrevista, o ex-presidente expressou que acredita que uma das falhas do atual governo seria o núcleo familiar de Bolsonaro. "Quando o filho dele falou em fechar o Supremo Tribunal Federal e no retorno de um AI-5, era esperado uma reação severa e uma reafirmação do compromisso do presidente de seguir rigorosamente a Constituição."

Sobre as novas reformas, Fernando Collor prevê dificuldade de tramitação no Congresso das propostas. "Essa reforma da questão federativa e dos municípios e esse projeto fiscal de redução de salário de servidores em 25% não têm como passar." 

O senador acredita que a reforma tributária é uma questão extremamente delicada e que só tem condições de andar se vier por uma proposta com a simpatia do governo. "Reforma tributária supõe uma repartição de recursos. Quem detém a maior parcela dos recursos arrecadados na União no país inteiro é o governo federal, eles são os menos interessados em uma reforma como essa."

O ex-presidente não acredita que a reforma trabalhista surtirá efeito, pois, na visão dele, são medidas que são levadas adiante "sem o sentimento da população" e do que o povo precisa. "São números muito frios e cálculos muito frios, que não alcançam o povo de um modo geral e, portanto, não vão dar resultado. Não vai acabar com desemprego e também não vai fazer com que nós retomemos o nosso crescimento”, contesta. 

Sobre a decisão do STF que derrubou a prisão após condenação em segunda instância, fator que permitiu a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Collor afirma que é uma garantia individual do cidadão somente ser condenado depois de ser levado à avaliação de todas as instâncias jurídicas dentro do Poder Judiciário. "Não acho que seria o momento oportuno de o Congresso retificar uma decisão da mais alta Corte de Justiça do país."

Relembrando os dias de presidente, Collor diz que, na visão dele, sua eleição foi "um capítulo da manutenção da ordem democrática". "Eu abri a janela do Brasil para deixar o sol entrar, mostrando o que nós queríamos compartilhar com o os países que compõem o nosso planeta. Compartilharmos as nossas experiências e nos  mostrarmos como parceiros confiáveis, dentro do processo de globalização que já estava em início, isso era fundamental", diz o senador.

Sobre os erros do passado, o ex-presidente comenta que o exercício de um mandato presidencial é um  solitário e, por isso, o número de erros que se comete é muito maior do que fora do cargo. Sobre os erros do atual governo, ele diz que "de vez em quando e de lá para cá, nos preocupa alguns escorregões que são dados, seja por integrantes da classe política, seja por dirigentes do nosso país ou seja por pessoas ligadas aos dirigentes do país", conclui. 

*Estagiário sob a supervisão de Roberto Fonseca

 Confira a entrevista na íntegra 


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