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Correio Braziliense

Bolsonaro lança novo partido com ataques a Witzel, antecipando 2022

Para o presidente, Witzel tenta ''destruir a reputação da família Bolsonaro'' usando a Polícia Civil do Rio de Janeiro


postado em 21/11/2019 15:20 / atualizado em 21/11/2019 16:12

(foto: Mauro Pimentel/AFP)
(foto: Mauro Pimentel/AFP)
A solenidade de fundação do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente Jair Bolsonaro deseja fundar após ter deixado o PSL, serviu como pontapé inicial do projeto de reeleição em 2022, nesta quinta-feira (21/11). 

Em uma fala de pouco mais de 30 minutos, Bolsonaro destinou parte dela para atacar o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), a quem enxerga como desafeto e concorrente do mesmo espectro político na disputa eleitoral. Para ele, o chefe do Executivo estadual fluminense tenta “destruir a reputação da família Bolsonaro”. 

O presidente não poupou críticas ao governador. Começou falando que, se não fosse pelo senador Flávio Bolsonaro (Aliança-RJ), Witzel não teria sido eleito. “Onde o Flávio ia, ele estava atrás. Acabaram as eleições e ele botou na cabeça que quer ser presidente. É o direito dele e de qualquer um de vocês, mas, também botou na cabeça dele o direito de destruir a reputação da família Bolsonaro. Minha vida virou um inferno depois da eleição do senhor Wilson Witzel, lamentavelmente”, criticou. 

Para Bolsonaro, Witzel tenta destruir sua família e “quem está ao lado dele” usando a Polícia Civil do Rio de Janeiro. “Ou parte dela, a todo custo”, acusou. O sentimento de perseguição aos familiares diz respeito às suspeitas da Polícia Civil de um possível envolvimento de Carlos Bolsonaro (PSC), vereador na capital fluminense, com a morte da então vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes. 

Caso Marielle

Ao citar o filho, Bolsonaro disse que Carlos e Marielle tiveram uma única discussão enquanto vereadores. “Acho que política. Agora, (os policiais) jogam para esse lado (de um suposto envolvimento do filho no assassinato)”, criticou. O presidente lembrou que, em 9 de outubro, encontrou com Witzel no Clube Naval do Rio de Janeiro. Declarou que, na ocasião, o governador confidenciou a ele ter conhecimento das investigações feitas pela Polícia Civil. 

Como inquéritos tramitam em segredo de Justiça, Bolsonaro crê que Witzel tenha alguma influência sobre as diligências da corporação. “Perguntei (a ele) ‘como tu sabe disso, se o processo corre em segredo de Justiça?’ Já sabia das suas intenções. Vivia manipulando o processo e não aparece para a esquerda chegar aos mandantes verdadeiros. Interessa usar, agora, esse crime bárbaro que repudiamos para atingir reputação de pessoas outras. Não deu certo com o porteiro, mas, por coincidência, eu não estava lá”, comentou. 

O presidente fez referência ao depoimento à Polícia Civil de um porteiro que teria autorizado a entrada de Élcio de Queiroz, um dos suspeitos do assassinato de Marielle, após conversar com um “seu Jair”. À Polícia Federal, contudo, mudou a versão em outro depoimento. “A Globo começa dizendo o ‘depoimento do porteiro’ e dizendo que eu estava em Brasília. Isso não é pauta que tem que ser divulgada, essa possibilidade de um ser um dos mandantes do crime da Marielle Franco, e lamento muito. Esse é o trabalho em parte desse governador (Witzel) que tem obsessão de ser presidente e dizem uns que, em seu gabinete, usa faixa presidencial”, comentou.
 

Corrida contra o tempo

A nova sigla surge com as bandeiras de "defesa de Deus e das armas" e de combate à corrupção. Para existir formalmente, o Aliança pelo Brasil ainda precisa ser homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Para isso, deverá cumprir uma série de exigências, o que representa uma verdadeira corrida contra o tempo para Bolsonaro e os demais políticos que pretendem se juntar à legenda.
   

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