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Correio Braziliense

Entre afagos e críticas, Bolsonaro comenta diretrizes do Aliança para 2020

Em um tom moderado, o presidente evitou tensões durante a solenidade de fundação do seu novo partido


postado em 21/11/2019 20:56

(foto: Isac Nóbrega/PR )
(foto: Isac Nóbrega/PR )
O presidente Jair Bolsonaro evitou tensões com o Congresso e o Judiciário na solenidade de fundação do Aliança pelo Brasil, alfinetou o PSL e deu os primeiros indícios do que espera para o partido no futuro, sobretudo nas eleições municipais, caso esteja homologado até março pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em um tom moderado, procurou equilíbrio em suas declarações políticas, embora tenha dado recados ao PT em críticas veladas à ex-presidente Dilma Rousseff, ao defender a necessidade de proteção social por meio de políticas assistencialistas. 

Ao sugerir que o Brasil ainda “beira o socialismo”, alegando as dificuldades de se promover a ampla liberdade econômica em decorrência da burocracia e regulação estatal sobre as empresas e trabalhadores, Bolsonaro disse que tem procurado, “de forma civilizada”, resolver os problemas com o apoio do Parlamento. Destacou que críticas podem ser feitas, desde que de “forma civilizada” e “com moderação”. “Nós, chefes de poderes, vamos, buscando adequá-lo para o que o povo quer, que nós devemos fidelidade absoluta a vocês, povo brasileiro. Agora, tudo passa. Não adianta reclamarmos do Parlamento, do presidente da República, do Poder Judiciário. Tudo aquilo é política”, declarou. 

O presidente defendeu que os Três Poderes trabalhem juntos para que as instituições sejam aperfeiçoadas “cada vez mais”. “Agora, passe tudo isso pelo entendimento e pela compreensão de cada um dos senhores. E vamos fazer políticas, mas políticas moderadas. Vamos melhorar o Brasil, agindo dessa maneira. Não temos outro caminho. Alguns cobram de mim decisões que não competem ao poder do chefe Executivo. Gostaria de ter poder para resolver tudo do Brasil, mas nossa realidade é outra, e o Brasil vem melhorando”, sustentou.

Os afagos ao Congresso são uma forma de Bolsonaro mostrar zelo pelo Estado democrático de direito, a fim de evitar rusgas com lideranças dos demais partidos e dar sinais da disposição em dialogar. O partido, no entanto, ficará em compasso de espera aguardando a coleta de assinaturas para que o TSE homologue, ou não. O presidente comentou que, até a criação, avaliará nomes para auxiliá-lo na construção da legenda e avisou que adotará critérios específicos, não garantindo presidências ou cargos na legenda a filiados ou membros fundadores apenas por terem “chegado na frente”.

Seleção

“Até lá, vamos ter uma grande gama de nomes para escolher dentro de estados, quem vai ser o presidente estadual do partido. Nós faremos uma seleção realmente de pessoas que estejam comprometidas com o futuro do Brasil. Não é quem chegar na frente não, para deixar bem claro. Mas todos você serão importantes. todos vocês são especiais para que consigamos atingir esses objetivos”, declarou. Para ele, se o pontapé dado nesta quinta-feira (21/11) tivesse sido feito “no passado”, teria conseguido montar uma bancada de 100 parlamentares, sendo um senador a cada estado. 

Ao entrar no tema das eleições, iniciou as alfinetadas ao PSL. “Muito lamentavelmente uns poucos passaram a entender que o partido não era dele e chegou aqui no Palácio do Planalto para que seus objetivos fossem atingidos, mas a maioria dos 50 e poucos eleitos (do PSL) são pessoas que, realmente, não pensam dessa maneira”, criticou. Comentou, ainda, que alguns dos deputados que migrarão para o Aliança poderão ser presidentes de diretórios estaduais ou municipais. “Quem sabe não tenha mais de um na Presidência. Fui 28 anos deputado no Parlamento, dois anos como vereador, e nunca tive um diretório municipal”, comentou. 

O capitão reformado deixou claro, contudo, não tolerará que presidentes estaduais “negociem a legenda”, com um pensamento puramente eleitoral, voltado para eleger políticos pensando em termos quantitativos, não qualitativos, de pessoas que sejam da confiança da Executiva. “Em parte o problema que tivemos há poucas horas (quando ainda era do PSL) foi essa questão. Negociar legenda, vender tempo de televisão e fazer do partido um negócio para ele”, alertou. 

Bolsa Família

Ao comentar sobre geração de empregos, sobretudo para “atender os mais humildes”, alfinetou Dilma, sem citar o nome da ex-presidente. Bolsonaro celebrou a implementação do 13º benefício do Bolsa Família mediante o combate a fraudes no programa assistencialista. Frisou, contudo, que o sucesso da deve ser medida pelo número de pessoas que saem, não que entram. “Programas sociais você os analisa e diz se estão indo bem, ou não, na verdade, de acordo com o número de pessoas que sai dele, e não o número de pessoas que entram. Na penúltima eleição presidencial, em 2014, uma candidata que acabou ganhando as eleições se gabava de ter, naquele momento, 14 milhões de famílias dependentes do Bolsa Família. Tem muita gente que precisa, não podemos desampará-las, mas não pode ser motivo de orgulho apresentar um número como esse”, avaliou. 

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