Publicidade

Correio Braziliense

Rock induz às drogas e ao satanismo, diz novo presidente da Funarte

Dante Mantovani, recém nomeado para o cargo, é maestro e tem um canal no YouTube, onde publica a respeito de assuntos ligados à música


postado em 02/12/2019 15:59

Mantovani, que é especialista em Filosofia Política e Jurídica e Mestre em Linguística, discorreu sobre a Escola de Frankfurt e a relação dos filósofos com a música(foto: Reprodução/YouTube/DanteMantovani)
Mantovani, que é especialista em Filosofia Política e Jurídica e Mestre em Linguística, discorreu sobre a Escola de Frankfurt e a relação dos filósofos com a música (foto: Reprodução/YouTube/DanteMantovani)
A nomeação do novo presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) foi publicada nesta segunda-feira (2/11). O cargo estava vago há quase um mês após a exoneração de Miguel Angelo Oronoz Proença. O escolhido é Dante Mantovani, 35 anos, que mantém um canal no YouTube onde fala de música clássica. Em alguns dos vídeos postados não faltam afirmações polêmicas e teorias da conspiração por parte do representante da fundação, que é aluno do ideólogo de direita Olavo de Carvalho. Ele afirma que “o rock ativa as drogas, que ativam o sexo livre, que ativa a indústria do aborto, que ativa o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo”, comentou.



Mantovani, que é especialista em Filosofia Política e Jurídica e Mestre em Linguística, discorreu sobre a Escola de Frankfurt e a relação dos filósofos com a música. Ele exemplifica usando a banda The Beatles. “Eles precisavam destruir as famílias americanas porque elas eram a sustentação do capitalismo”, aponta.

O presidente da entidade ressaltou que os soviéticos estavam infiltrados na CIA com finalidade de "destruir a moral burguesa da família americana". Época, segundo ele, em que surge Elvis Presley.

 “Existe toda uma infiltração de serviços de inteligência dentro da indústria fonográfica norte-americana que se não levarmos em conta, não vamos entender nada. A União Soviética mandou agentes infiltrados para os Estados Unidos para realizar experimentos com certos discos realizados para crianças. Esses agentes iam, se infiltravam e iam mudando, inserindo certos elementos para fazer engenharia social com crianças. Daí passaram para música para adolescentes", observou.

Os agentes, segundo ele, seriam ainda responsáveis por distribuir drogas para jovens em Woodstock nos anos 1960.

“Woodstock foi aquele festival da década de 60 que juntou um monte de gente, os hippies fazendo uso de drogas, LSD, inclusive existem certos indícios de que a distribuição em larga escala de LSD foi feita pela CIA. Mas como pela CIA? Tinha infiltrados do serviço soviético lá.”

Aconselhado pelo chefe da Secretaria Especial da Cultura, Roberto Alvim, que está a frente da pasta desde o último dia 7 (responsável pela indicação), Mantovani só dará entrevistas à imprensa a partir da próxima quarta-feira (4/12).

Essa é mais uma das nomeações polêmicas realizas por Alvim. Na semana passada, ele escolheu para a presidência da Fundação Palmares o jornalista Sérgio Nascimento de Camargo, que afirmou que a escravidão foi “benéfica para os descendentes”, que não existe “racismo real” e que o movimento negro precisa ser extinto.

À frente da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura, está Camilo Calandreli que se define como cristão, conservador e seguidor de Olavo de Carvalho. É formado em música pela USP e afirmou que a Lei Rouanet era utilizada pelo ‘marxismo cultural’.

Outra das recentes mudanças, que vai de encontro ao perfil ideológico e conservador do presidente Jair Bolsonaro, foi a escolha por Katiane de Fátima Gouvêa como Secretária do Audiovisual da Secretaria Especial da Cultura do Ministério da Cidadania, na última quarta-feira (27/11). 

A nova secretária não possui experiência direta na área da cultura, no entanto, além de ser membro da Cúpula Conservadora das Américas, teve seu nome ligado a um documento que, meses atrás, incentivou o presidente Bolsonaro a quase extinguir a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Bolsonaro recebeu um relatório de projetos aprovados pela agência que considerou absurdos, como “Born to Fashion”, um reality que se propõe a revelar modelos trans.

Por sua vez, Alvim  também é conhecido por polêmicas, como quando chamou a atriz Fernanda Montenegro, de 90 anos de ‘sórdida’. No fim de setembro, a atriz também foi alvo de ofensas. Em uma postagem no Facebook, chamou Montenegro de "intocável" e "mentirosa", o que provocou reação da classe artística.

Bolsonaro deu a Alvim “carta branca” para fazer as mudanças que achar necessárias. A cultura, segundo o presidente, deve servir à “maioria”, em referência aos votos válidos que garantiram sua eleição. 

Mudança na Biblioteca Nacional 

Dando seguimento às mudanças na área da Cultura, que agora está subordinada ao Ministério do Turismo, o governo federal fez uma troca também no comando da Fundação da Biblioteca Nacional (FBN). O DOU desta segunda-feira (2/11) traz a exoneração da atual presidente da FBN, Helena Maria Porto Severo da Costa, e a nomeação de Rafael Alves da Silva para ocupar o cargo.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade