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Correio Braziliense

Bolsonaro avalia que Mercosul não pode ter ''retrocesso ideológico''

Durante encontro no Rio Grande do Sul, presidentes dos países-membros do Mercosul demonstram preocupação com as crises em nações do continente


postado em 06/12/2019 06:00

Em São Bento, mandatários alertaram para o fato de que a democracia passa por
Em São Bento, mandatários alertaram para o fato de que a democracia passa por "dificuldades e desafios" (foto: CARL DE SOUZA / AFP)
As crises socioeconômicas e políticas da América do Sul serviram de pano de fundo para a 55ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada nesta quinta-feira (5/12), em Bento Gonçalves (RS). Durante a reunião, alguns dos mandatários alertaram para o fato de que a democracia passa por “dificuldades e desafios”. O presidente Jair Bolsonaro disse que para “fazer do bloco uma fonte de bem-estar para nossos cidadãos, não podemos perder tempo, precisamos levar adiante as reformas que estão dando vitalidade ao Mercosul, sem retrocessos ideológicos”.

“A defesa da democracia também é um pilar essencial ao Mercosul. Nosso compromisso com a liberdade tem que prosseguir mais vivo do que nunca. Hoje (nesta quinta-feira — 5/12), assinamos acordos que vão agilizar e simplificar as trocas entre nós, como o acordo de facilitação de comércio”, comentou o chefe do Planalto. “Temos de seguir avançando igualmente na direção de um Mercosul mais enxuto e eficiente, em sintonia com a racionalização do Estado, que levamos adiante no plano interno.”

A cerimônia — com participação do presidente da Argentina, Maurício Macri; do presidente do Paraguai, Mário Abdo Benítez; e da vice-presidente do Uruguai, Lúcia Topolansky, além de representantes de Chile, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Guiana e Suriname — marcou a transferência do comando da presidência rotativa do Mercosul de Bolsonaro para Benítez. “Ao transmitir, à vossa excelência, a Presidência do Mercosul, expresso minha convicção de que sua liderança será de extremo valor para o nosso bloco nesta hora de tantos desafios. Esteja certo de contar com meu apoio e com apoio determinado de todo o Brasil”, disse o presidente brasileiro ao paraguaio.

Benítez, por sua vez, enfatizou que “temos o grande compromisso de fortalecer nossas democracias e melhorá-las com mais democracia, não com anarquia”. “Atualmente (a democracia), apresenta dificuldades e desafios. Assumiremos a presidência e daremos continuidade ao trabalho do Brasil”, frisou. “Temos grandes desafios, (como) fortalecer instituições para que nossas democracias possam depender menos do presidente e mais das instituições com consciência institucional.”

Topolansky reforçou o discurso e destacou que a América do Sul vive um “contexto preocupante”. “Não se trata de um único país atravessando crise. São vários países sacudidos por protestos e crises políticas, institucionais, até mesmo golpes de Estado. O que é mais grave: violência em alguns casos”, disse. “Certas ausências e presenças (nesta reunião) são prova do que estou dizendo. Na história, não há atalhos. Na política, não vale tudo. Entre nós não deve ter dualidade de critérios”, emendou a vice uruguaia.

Já Macri, que deixará a presidência argentina no ano que vem para Alberto Fernández, ressaltou que os membros do Mercosul não podem abrir mão do compromisso democrático no continente. “Quero destacar, uma vez mais, nosso compromisso irrenunciável com a democracia, com a liberdade e os direitos humanos”, destacou.

Venezuela

Ao fim do encontro, os mandatários assinaram uma carta conjunta na qual incentivaram “a busca de uma solução política, pacífica, liderada pelos próprios venezuelanos, que conduza ao pleno restabelecimento da democracia e do Estado de direito na Venezuela, incluindo a celebração de eleições presidenciais livres, justas e transparentes no menor tempo possível”.

No texto, o grupo pede que a comunidade internacional siga contribuindo, “por todos os meios pacíficos a seu alcance, para o pronto retorno da institucionalidade democrática àquele país”, e destaca preocupação com o impacto humanitário que a grave crise política e econômica na Venezuela tem sobre o contingente de mais de quatro milhões de venezuelanos, obrigados a emigrar.

“Considerando o crescimento dos fluxos migratórios de venezuelanos que buscam novas oportunidades na região frente à deterioração das condições de vida na Venezuela, (os mandatários) salientaram a necessidade de intensificar a coordenação de esforços a fim de dar respostas integrais em matéria migratória e de refúgio, de forma consistente com a dignidade e a preservação dos direitos fundamentais dos migrantes”, reforça o documento.

“Golpe”

Após a transferência de comando da Presidência do Mercosul, Bolsonaro disse a Benítez, em tom de brincadeira, que queria continuar à frente do bloco. “Queria dar um golpe para continuar a ser presidente, não dá para dar um golpe não?”, riu, sem perceber que os microfones ainda estavam ligados. “Os caras não sossegam. Tudo quanto eles perdem, dizem que é golpe. Impressionante”, emendou. As declarações ocorreram após a vice-presidente do Uruguai, Lucía Topolansky, ter afirmado que houve uma “quebra institucional” na Bolívia. Em novembro deste ano, o ex-presidente boliviano Evo Morales disse ter sido vítima de um golpe de Estado ao renunciar ao governo.

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