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Correio Braziliense

Bolsonaro recua e Mourão participará de posse de Alberto Fernández

Informação de que Mourão representará o Brasil na posse, nesta terça-feira, foi confirmada pela assessoria do vice-presidente


postado em 09/12/2019 17:44 / atualizado em 09/12/2019 23:02

(foto: Evaristo Sá/AFP)
(foto: Evaristo Sá/AFP)
O vice-presidente Hamilton Mourão participará da posse do presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, que ocorre nesta terça-feira (10/12), às 10h, em Buenos Aires. O pedido foi feito pelo presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). Inicialmente, a previsão era de que o governo fosse representado pelo ministro da Cidadania, Osmar Terra. O próprio ministro disse, porém, que Bolsonaro havia desistido da ideia. Outro nome cotado foi o do embaixador do Brasil na Argentina, Sérgio França Danese. 
 
O porta-voz da República, Otávio Rêgo Barros, afirmou nesta noite que o presidente ouviu ministros e decidiu enviar um representante, valorizando o relacionamento comercial com o país vizinho. “O presidente fez análises continuadas discutindo com vários ministros e, a partir dessas discussões, entendendo que se faria necessária a presença de uma autoridade lá embora hoje ainda de manhã ainda tivesse dúvidas no tocante a essa presença, decidiu enviar para valorizar o relacionamento com a Argentina e em especial, nos aspectos comerciais”, apontou. O presidente já havia anunciado em 1º de novembro que não iria ao evento

Questionado, Mourão disse que foi chamado ao gabinete do presidente e perguntado se ele se importava de representá-lo na posse de Fernández. Mourão disse que viu o ato como “um gesto político de boa vontade com o novo governo argentino". 

Mourão emendou dizendo que o chefe do Executivo pediu que ele levasse os cumprimentos e desejo de “boa sorte” ao novo líder argentino. Ele embarcou por volta das 18h.

Nesta segunda-feira (9/12) pela manhã, na saída do Palácio do Alvorada, Bolsonaro não confirmou se enviaria algum representante à posse. Ele declarou que analisaria a lista de convidados. Frisou, contudo, que as relações comerciais com o governo argentino serão pragmáticas. “Não vai interferir em nada”, avisou. 

“Primeiro tô analisando a lista de convidados. Quando assumi aqui não convidei umas autoridades também. E nosso comércio com a Argentina vai continuar sendo da mesma forma, sem problema nenhum, não vai interferir em nada”, declarou Bolsonaro. Entre os convidados, estão Evo Morales e Raul Castro.

Em 16 anos, esta será a primeira vez que o chefe de Estado brasileiro não irá à posse do novo presidente argentino. Durante a campanha presidencial na Argentina, Bolsonaro criticou Fernández e defendeu a reeleição de Maurício Macri, que perdeu no primeiro turno.

Na época, Bolsonaro disse que, caso Fernández fosse eleito, a Argentina se tornaria uma "nova Venezuela" e que cidadãos argentinos fugiriam para o Rio Grande do Sul, assim como venezuelanos fugiram para Roraima. 

Bolsonaro é crítico de Fernández por seu posicionamento político de esquerda e de proximidade com Cristina Kirchner, sua vice. Após o resultado das urnas, no fim de outubro, o presidente brasileiro decidiu não ligar para o argentino para cumprimentá-lo pela vitória. Fernández declarou apoio à liberdade do ex-presidente Lula.

O analista político da BMJ, Lucas Fernandes, apontou que, a ida de Mourão à posse, mostra que, de maneira concreta, as ações pragmáticas suplantam a retórica combativa de Bolsonaro.  “O embate é baseado em pilares ideológicos e diferenças de posicionamento político entre os dois presidentes. Algo que a gente deve ver muito entre Bolsonaro e Fernandes é o ponto de vista de discurso embativo, mas nas relações comerciais, continua pragmático, tendo em vista a dependências das duas economias, O Brasil não tem condição de cortar laços. A Argentina a mesma coisa. É melhor do que não enviar ninguém, mas não contorna completamente o desgaste com a inicial recusa em enviar. Mesmo enviando, é a primeira vez desde ao estabelecimento da democracia que o presidente brasileiro não participa. É algo muito simbólico. Pior se não tivesse ninguém, seria uma atitude má recebida”, conclui. 

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