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Correio Braziliense

Bolsonaro comete gafe em crítica a ministro da Defesa de Alberto Fernández

Presidente lamentou que militar fora da hierarquia máxima fosse capitanear as Forças Armadas argentinas, mas o escolhido foi outro


postado em 11/12/2019 14:55 / atualizado em 11/12/2019 15:06

(foto: Isac Nobrega/PR)
(foto: Isac Nobrega/PR)
O presidente Jair Bolsonaro defendeu o bom relacionamento com a Argentina, mas criticou, descabida e equivocadamente, o presidente argentino, Alberto Fernández, por uma nomeação que ele não fez. Ao confundir o ministro da Defesa argentino, Agustín Rossi, com o general de brigada Diego López Blanco — apontado pela imprensa local como o escolhido para ser o chefe do Estado-Maior do Exército —, ele lamentou a escolha de um militar fora da hierarquia máxima para capitanear as Forças Armadas argentinas. 

 

O nome escolhido por Fernández para o ministério da Defesa é, na verdade, ex-deputado da Câmara dos Deputados argentina. Engenheiro civil de carreira, Rossi foi líder da bancada da Frente pela Vitória na Casa, uma coligação política do país. Em 2013, no governo da ex-presidente Cristina Kirchner — atual vice-presidente do país —, ocupou o cargo que, atualmente, volta a exercer. 

 

Durante a fala, Bolsonaro deixou evidente o equívoco ao citar o posto ocupado por Rossi, mas atribuí-lo como um militar abaixo do topo da hierarquia. “Lamento a escolha do ministro da Defesa, um general de brigada. Tem que ser um general de Exército, um almirante de esquadra ou tenente brigadeiro do ar, ou até um civil que seja. Mas a maneira como se começa a tratar as coisas, mexer naquilo que está dando certo, creio não ser a melhor opção”, comentou. 

 

Os comentários sobre a Argentina foram feitos logo depois de Bolsonaro ter dito, em referência ao ministro da Economia, Paulo Guedes, empenho para “viver intensamente os últimos dias” a fim de “deixar aos nossos filhos e netos a certeza de que eles não terão que sair do Brasil por causa de uma ideologia que não deu certo em lugar nenhum do mundo e alguns teimam em colocar em prática”. As palavras usadas pelo presidente remetem aos discursos críticos à esquerda e ao socialismo. 

 

Afagos

Apesar das críticas veladas à esquerda e da equivocada crítica feita à escolha de Fernández para a Defesa, Bolsonaro fez afagos ao governo argentino. “Peço a Deus que tudo dê certo na Argentina. (...) Espero que a Argentina dê certo, porque são, aqui, na América do Sul, o nosso grande parceiro comercial”, frisou. Ao ressaltar a presença do vice-presidente Hamilton Mourão na posse de Fernández, ocorrida na terça (10/12), o presidente lembrou que o Brasil foi o único país citado no discurso do mandatário argentino. 

 

O capitão reformado sinalizou, ainda, o desejo em concluir acordos firmados pelo Mercosul. “Estamos prontos a implementar o mais rápido possível o nosso acordo com a União Europeia. A Argentina tem muito a nos oferecer e o Brasil tem muito a oferecer à Argentina também, e podem ter certeza de uma coisa, o nosso governo só estará feliz quando todos os demais grandes parceiros e irmãos nossos viverem em liberdade e democracia”, destacou. 

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