Publicidade

Correio Braziliense

Nova líder na Câmara, Joice Hasselmann promete pacificar o PSL

Ela conversou com a imprensa ao lado do deputado Delegado Waldir (GO), ex-líder da legenda e destituído por Eduardo Bolsonaro


postado em 11/12/2019 15:16

(foto: Geraldo Magela/Agencia Senado)
(foto: Geraldo Magela/Agencia Senado)
A nova líder do PSL na Câmara, Joice Hasselmann (SP) prometeu pacificar o partido. A intenção é convencer os dissidentes da legenda a fazerem as pazes com o grupo. Depois, passar uma imagem de eficiência e de coerência com as pautas que elegeram os parlamentares. Ela conversou com a imprensa ao lado do deputado Delegado Waldir (GO), ex-líder da legenda e destituído por Eduardo Bolsonaro (SP). O filho do presidente, por sua vez, foi suspenso da legenda por 12 meses.

 

“O primeiro passo que vamos dar é de pacificação. Para mostrarmos para a sociedade que vamos fazer política de um jeito sério e maduro. O PSL raiz é uma direita racional. Não é uma direita xiita. Não é radical. É uma direita que respeita o contraditório e vamos fazer política de um jeito claro, maduro, absolutamente transparente. Nós precisamos trazer as pautas que o Brasil precisa para andar”, afirmou Joice.

 

A deputada também comentou a eleição que a levou a liderança. O PSL tem 53 deputados eleitos. Com a suspensão de 14, participaram do pleito os outros 39. A nomeação da parlamentar foi referendada por uma lista com 22 assinaturas. “Foi feita uma eleição entre nós, no nosso grupo, eu e o deputado Heitor Freire (CE), e meu nome foi escolhido pela maioria. O que esperamos agora é um momento de menos puxada de tapete e de mais trabalho que é o que temos que mostrar para a nação Brasileira”, destacou.

 

Eleita líder e pré-candidata à prefeitura de São Paulo, a deputada disse que não faltará a nenhuma sessão do Congresso. “Eu não vou me afastar do meu mandato para disputar a prefeitura de São Paulo. Eu tenho esse compromisso de estar em todas as sessões até o dia da eleição. E eu estarei em todas as sessões. Pra quem fez a liderança do governo no Congresso e uma caravana nacional pela Previdência, vai ser moleza”, garantiu.

 

Joice disse, ainda, que o PSL continuará votando com o governo “as pautas boas para o Brasil”. Mas, se manterá independente em pautas que podem prejudicar o país. “Alguns deputados nossos sofreram desgaste por votar pautas do governo que não foram bem vistas pela população. Agora, temos essa independência em relação às pautas. O que vamos entregar é o que prometemos. Um partido liberal na economia e conservador nos costumes. É liberal. Não é nacionalista. E conservador não é reacionário. São coisas totalmente diferentes”, pontuou. “É esse recado que vamos passar para a população, trazendo, claro, os deputados que, de alguma forma, se sentiram desgarrados do processo para perto. As portas estão abertas. Não haverá retaliação. Não é do nosso perfil”, complementou.

 

A respeito da fala de Bolsonaro, que chamou parlamentares do PSL de “traíras”, ela disse que era importante que citasse nomes, e que era uma ofensa incoerente com a dedicação de colegas. “O presidente tem que dizer a quem ele se refere. Acho que parlamentares deram vida pela campanha do presidente da república, lutaram por ele, acreditaram nele, quando ninguém acreditava. O PSL abriu portas para o presidente quando nenhum partido queria Jair Bolsonaro, e estendeu esse tapete vermelho, e é uma via de mão dupla”, respondeu.

 

“Pessoas que trabalharam antes da campanha, e depois da campanha, depois da eleição, continuam trabalhando ativamente por ele na Câmara, e dando maior número de votos de todos os partidos para as pautas do presidente, não podem ser chamadas de traidoras. Isso seria, no mínimo, uma injustiça. Para não falar coisa pior. Mas o presidente, de vez em quando, fala demais, e depois se retrata. Nosso trabalho mostra quem está do lado do brasil e quem está fazendo só discurso político”, completou.

 

Para a nova líder, o partido não perdeu peso político com a suspensão de 14 parlamentares, pois toda a bancada continuará votando com o governo. “As suspensões são internas. Dizem respeito aos direitos envolvendo a sigla. Os deputados infringiram o estatuto do partido. É um problema partidário. Não retira as prerrogativas dos parlamentares na Casa. Isso só aconteceria se houvesse uma decisão da própria Câmara. A questão discutida, as punições, são estatutárias. Eles continuam tendo votos e o PSL continua tendo seus 53 deputados”, calculou.

 

A respeito de retirada ou manutenção de nomes nas comissões, Joice disse que o partido seguirá o regimento da Câmara “da maneira mais fiel o possível”. “Se o regimento diz que eles tem vaga em comissão, terão vaga em comissão”, garantiu. Sobre acordos anteriores à cisão do partido, porém, ela não deu garantias. “Tem vários acordos diferentes em relação à CCJ. Tenho que saber quem fez, quais são e quem está envolvido. Temos que ver o que é verdade, o que está no processo”, afirmou.

 

Em relação à deputada Bia Kicis (PSL-DF), que teria um acordo para revezar a presidência da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara com Felipe Francischini (PSL-PR) Joice afirmou que a deputada já manifestou desejo de deixar a legenda e é a única dos suspensos que tem essa prerrogativa. 

 

“A deputada Bia Kicis tem que decidir se fica ou não no partido. Ela é a única que tem prerrogativa de sair do PSL. Pode sair imediatamente sem perder o mandato, uma vez que ela foi eleita pelo PRP, uma legenda que não existe mais. A deputada pode, naturalmente, sair do partido, pedir desfiliação, e não perde a vaga. Pelo discurso que temos visto, ela não está satisfeita do PSL e é natural que ela se retire da legenda”, disparou.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade