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Correio Braziliense

Deputado alinhado a Aécio vai assumir liderança do PSDB na Câmara em 2020

Definição do novo líder da bancada tucana na Câmara dos Deputados expõe disputa interna acirrada no partido, a exemplo do que ocorre na sigla que elegeu o presidente Jair Bolsonaro. Aécio Neves e João Doria protagonizam queda de braço


postado em 14/12/2019 07:00

O partido realizou congresso em Brasília no início deste mês: em busca do status de melhor alternativa ao radicalismo atual(foto: George Gianni/PSDB)
O partido realizou congresso em Brasília no início deste mês: em busca do status de melhor alternativa ao radicalismo atual (foto: George Gianni/PSDB)
A briga pela liderança do PSDB na Câmara foi o centro das atenções de parlamentares nos últimos dias. Depois de uma disputa acirrada, o deputado Celso Sabino (PA), nome defendido pela ala mais alinhada a Aécio Neves (MG), assumiu nesta sexta-feira (13/12) a função, no lugar de Carlos Sampaio (SP). O concorrente, Beto Pereira (MS), considerado o candidato do governador de São Paulo, João Doria (SP), perdeu por apenas um voto.

Sabino só assumiu a liderança porque o deputado Miguel Haddad (SP), suplente, deixou a cadeira e, com isso, Pereira perdeu um voto. Haddad seria o responsável por garantir a vitória do candidato de Doria, por critério de idade, já que é quatro meses mais velho do que o escolhido por Aécio. Com a saída do suplente, o deputado mineiro apresentou uma lista com 16 nomes a 15 e resolveu a pendência.

Após uma decisão tão difícil, o clima entre os tucanos está tão tenso que lembra a crise do PSL. Os ânimos continuam exaltados, com discussões internas e troca de farpas. Sabino entra no cargo com a missão de ser um grande conciliador. Primeiro, precisa restaurar o equilíbrio em uma legenda dividida. Em seguida, elevar o partido ao status de melhor alternativa ao radicalismo. Ao Correio, Sabino afirmou que o PSDB terá “a ousadia de ser ponderado, em um Congresso tão polarizado”.

A nova liderança tucana defende um posicionamento firme, mas “sem agressões”, para sobressair no cenário em que “o que mais vende, mais dá curtidas e comentários é o radicalismo”. Na avaliação de boa parte dos deputados, para conseguir sustentar a atuação coesa que promete, a primeira atitude do novo líder deve ser sentar com os dois lados da disputa e resolver os impasses.

Apaziguar a situação é mais importante, no momento, do que definir as pautas prioritárias dos próximos meses. Um dos defensores da política conciliadora é o deputado Lucas Redecker (PSDB-RS), que acredita que a busca deve ser por “uma composição entre os dois lados”. “É preciso uma negociação para se agregar a bancada, para ter condição de negociar com todo mundo”, afirmou o deputado, vice-líder do partido na Câmara.

A sugestão de que cada um dos candidatos fique seis meses no cargo, levantada nos últimos dias, não foi completamente descartada, na avaliação de Redecker. “Ainda se pode conversar sobre isso. Acho que nada é impossível”, disse. Ele considera natural que alguns deputados estejam hostis, de um lado e de outro, depois de uma disputa tão dividida, mas garantiu que “não tem briga, de fato”.

Apesar das divergências, parlamentares dizem não concordar com a divisão por nomes influentes. “Não existe isso de candidato de Doria e de Aécio. Não foi o que pautou a decisão”, destacou Redecker. Vice-líder do PSDB no Senado, Izalci Lucas (DF) negou que o suposto racha entre os tucanos foi refletido na disputa pela liderança do PSDB na Câmara. “O processo foi acirrado porque tínhamos dois ótimos candidatos concorrendo, jovens e muito talentosos”, argumentou.

No mesmo sentido, Sabino ressaltou que a disputa foi “como qualquer outra” e garantiu que todos vão continuar amigos. “O concorrente também tem suas qualidades, teve candidatura de forma legítima, como a nossa. Mas chegamos com maioria absoluta e agora vamos olhar para a frente”, disse o novo líder. O foco do PSDB, agora, é “presença no plenário e participação efetiva nas comissões”, resumiu.

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