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Correio Braziliense

Financiamento de bancos públicos para a Região Nordeste cai em 2019

Levantamento de bancos públicos analisado pelo Correio revela que, até julho, os estados da região receberam apenas 2,2% do total de novos empréstimos autorizados por bancos públicos


postado em 27/12/2019 06:00

(foto: EVARISTO SA/ AFP )
(foto: EVARISTO SA/ AFP )
Preconceitos contra mulheres, negros, LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero), indígenas, nordestinos e pobres interferem na economia e no desenvolvimento do Brasil. Um exemplo foi a redução de concessão de crédito no Nordeste, após ataque do presidente Jair Bolsonaro aos nordestinos. Ele disse que, “daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão” — referência ao governador Flávio Dino (PCdoB-MA).

Levantamento de bancos públicos analisado pelo Correio revela que, até julho, os estados da região receberam apenas 2,2% do total de novos empréstimos autorizados por bancos públicos — um percentual muito menor do que os 21,6% em 2018 e do que os 18,6%, em 2017. “A percepção é justamente essa. Um presidente tem influência entre os eleitores e no mercado. Coisas assim legitimam e repercutem na sociedade, trazendo desvantagens às pessoas, ainda que por omissão”, declara o cientista político Carlos Alberto Moura, analista da HC7 Pesquisas.

Bolsonaro alegou que o baixo volume de financiamentos se deve à alta inadimplência dos municípios nordestinos. Mas as informações do Tesouro Nacional mostram que não há diferenças regionais nos débitos nem impedimento legal para que os repasses ocorram.

O especialista acredita que parte do discurso de Bolsonaro sobre os nordestinos respinga em seu maior inimigo político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que nasceu na região. A rejeição ao petista bateu recordes após ele ser condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá (SP) e ser preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. O ex-presidente acabou sendo libertado depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu proibir a detenção antes de esgotados todos os recursos judiciais.

“Foi nessa época de ‘baixa’ do Lula que o presidente intensificou essas questões, em que abordava os ‘paraíbas’ em conversas privadas e áudios que vazaram para a imprensa”, acrescenta Carlos Alberto. O analista reforça a intransigência de tratar temas políticos com agressões. “É necessário refinar o discurso do presidente, especialmente para diminuir questões tratadas como ‘foro íntimo’. Não existe isso enquanto está no exercício do cargo.”

A reportagem procurou a Presidência da República para que comentasse sobre os assuntos, mas foi orientada a ouvir os ministérios relacionados aos temas. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos não respondeu. O da Cidadania disse que os assuntos não estão sob sua responsabilidade. Já sobre o Nordeste, o Ministério do Desenvolvimento Regional informou, por nota, que “atua em diversas frentes para promover a redução das desigualdades sociais no país e fomentar o desenvolvimento das regiões”. Segundo o órgão, neste ano, “48,3% dos recursos da pasta foram para a Região Nordeste, o que representa R$ 12,5 bilhões do total de R$ 25,9 bilhões”. “O montante inclui todos os investimentos, financiamentos e custeio do Ministério e de seus órgãos vinculados. As políticas públicas são nas áreas de habitação, segurança hídrica, desenvolvimento regional e urbano, defesa civil, mobilidade e saneamento básico”, disse a pasta.

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