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Correio Braziliense

Jair Bolsonaro decide exonerar Roberto Alvim, o secretário de Cultura

A decisão de demiti-lo teria vindo após um posicionamento da cúpula militar do governo, que pediu que Jair Bolsonaro agisse rápido


postado em 17/01/2020 11:33 / atualizado em 17/01/2020 12:41

(foto: Reprodução/Facebook)
(foto: Reprodução/Facebook)
Após citar um ministro nazista em pronunciamento ao anunciar uma série de prêmios artísticos do Governo Federal, o secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, será exonerado. O homem forte do presidente da República para o setor cultural chegou a dizer que a referência fascista em seu discurso foi uma "coincidência retórica".

A decisão de demiti-lo teria vindo após um posicionamento da cúpula militar do governo, que pediu que Jair Bolsonaro agisse rápido, antes que a crise causada pelo pronunciamento fascista para anunciar planos de governo ficasse fora de controle. Pouco antes de o presidente expurgar Alvin, ele chegou a dizer, em um programa de rádio, que falou com Bolsonaro que teria entendido “que não houve má intencionalidade e que eu não sabia a origem da menção".

Alvin comentou sobre a conversa com o presidente da República ao programa Chamada Geral da rádio GaúchaZH. "Liguei para ele [Bolsonaro] e expliquei a coincidência retórica. Ele entendeu que não houve má intencionalidade e que eu não sabia a origem da menção", comentou.

Ao falar em “coincidência retórica”, defendeu-se falando em cristianismo. "Eu sou cristão, minha vinculação ao povo judeu é absoluta. Então, peço, humildemente, de todo o coração, perdão às pessoas que se sentiram ofendidas por essa infeliz associação retórica", se desculpou. "Não há em nosso horizonte nenhuma conexão com o regime nazista", completou.

Trecho copiado de Goebbels

No vídeo, Alvim diz que "a arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada”.



A fala é semelhante a um discurso de Joseph Goebbels, em 8 de maio de de 1933, no hotel Kaiserhof, em Berlim."A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada". Na ocasião, ele falava para diretores de teatro.

O trecho do discurso do ministro nazista está relatado no livro "Joseph Goebbels: Uma biografia" (Ed. Objetiva), escrito pelo historiador alemão Peter Longerich. Além da citação, a música de fundo do vídeo é um trecho da ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, uma obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida. 

Joseph Goebbels tornou-se ministro da Propaganda de Adolf Hitler em 1933. Esse era um dos cargos mais importantes do governo alemão, já que era atribuição desse ministério a tarefa de convencer a população sobre os ideais nazistas. Cabia a Goebbels também o controle de toda a produção jornalística da Alemanha, o que acarretou em censura e perseguição a jornalistas judeus e outros grupos de oposição.

Sob ordens de Hitler, Goebbels convocou a população a boicotar negócios judeus e incentivou e organizou a queima de livros considerados “não alemães”. Após a morte de Hitler, Goebbels exerceu a função de chanceler por um dia. Ele e a esposa tiraram a própria vida em 1º de maio de 1945, após envenenarem os seis filhos. 

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