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Correio Braziliense

Fala de secretário de Cultura ataca a democracia, afirma presidente da OAB

Em conversa com o Correio, Felipe Santa Cruz falou na importância da exoneração de Roberto Alvim e de repensar imediatamente o projeto cultural anunciado pelo secretário de Jair Bolsonaro


postado em 17/01/2020 11:59 / atualizado em 17/01/2020 12:53

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, comentou a fala do secretário de Cultura, Roberto Alvim, que fez menção a um discurso nazista ao anunciar um programa de prêmios artísticos do governo federal. Em conversas com o Correio, por telefone, ele falou da importância da exoneração imediata de Alvim. Santa Cruz destacou a importância de retirar o projeto de pauta e repensá-lo por completo. 

 

O presidente da OAB lembrou, dentre outras coisas, que não é a primeira vez que setores do governo flertam publicamente com o autoritarismo. “Setores do governo vem flertando com experiências autoritárias e o secretário ultrapassou todas as fronteiras. Os milhões de cadáveres do nazismo cobram que sua exoneração seja imediata, como repúdio a um regime que causou profunda infelicidade à humanidade e, em especial ao povo judeu”, destacou.

 

Sobre o programa de premiação artística, a reportagem questionou o presidente da OAB sobre a possibilidade de a fala em referência ao nazismo contaminar o projeto. Para Santa Cruz, a iniciativa deve ser repensada. “Toda política que vier pautada no pensamento construído com a clara ideologia nazista deve ser repudiado. Não sou especialista em cultura, mas isso deve ser pensado imediatamente. O governo deve, não só afastar o secretário, mas esse tipo de projeto cultural baseado no pensamento autoritário”, opinou.

 

Por fim, o presidente da OAB destacou o risco de normalizar o autoritarismo com declarações como a do secretário e, também, como as falas a respeito do ato institucional número 5 (AI-5) de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente e, também, do ministro da Economia, Paulo Guedes.

 

“É um conjunto de fatos alarmantes. O mais preocupante é saber que, segundo levantamento do Datafolha, 12% da população apoia a ditadura e subiu para 21% o número de pessoas que acha que tanto faz. Isso Mostra um aumento dos número dos que não defendem a democracia. O governo federal, com essa prática, vai erodindo a democracia em um país com baixa formação cultural, educacional. As pessoas não conhecem o que é um regime autoritário, a exceção, a censura, a perseguição aos artistas. É muito grave que autoridades fragilizem isso constantemente”, declarou. 

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