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Correio Braziliense

Brasil não avança no combate à corrupção, segundo organização Transparência

O relatório aponta que ''interferências políticas'' de Bolsonaro prejudicam a posição do Brasil no ranking


postado em 23/01/2020 12:21 / atualizado em 23/01/2020 12:40

 O resultado é o pior quando se compara com o ano de 2012, que naquela época, ficou com 43 pontos(foto: Marcos Corrêa/PR)
O resultado é o pior quando se compara com o ano de 2012, que naquela época, ficou com 43 pontos (foto: Marcos Corrêa/PR)
Um estudo realizado pela organização Transparência Internacional divulgado nesta quinta-feira (23/1) revela que o Brasil caiu mais uma posição no ranking mundial de percepção de corrupção no ano de 2019. Os dados mostram que o país não avançou quando se trata de combate à corrupção. 

O Brasil recuou no ranking pelo 5º ano consecutivo e passou a ocupar a 106ª posição, com 35 pontos no índice de percepção da corrupção (IPC). Quanto mais próximo de 0 o país chega, mais ele é considerado desonesto. Aquele que estiver perto de 100 é visto como um dos mais corretos. 

O Brasil alcançou os mesmos índices de Albânia, Argélia, Costa do Marfim, Egito, Macedônia e Mongólia. Dinamarca, Nova Zelândia e Finlândia estão nas primeiras posições no ranking e são apontados as nações mais incorruptíveis. 

Na América do Sul, o Brasil surge depois de Uruguai, Chile, e Argentina e fica na frente da Bolívia, Paraguai e Venezuela.

O IPC caracteriza e pontua cada país baseado na perpeção de quão corrupto os setores públicos são por acadêmicos, investidores, executivos e estudiosos da área de transparência. Aspectos como desvio de recursos públicos, nepotismo, burocracia excessiva, propina e habilidade das gestões em conter a corrupção são levados em consideração. 

O relatório considerou que a dificuldade do combate à corrupção no Brasil são as "interferências políticas" do presidente Bolsonaro em órgãos de controle, como substituições polêmicas na Polícia Federal e Receita Federal e a nomeação de um Procurador-Geral da República fora da lista tríplice.

A paralisação das investigações criminais que usavam dados do Coaf e de outros órgãos responsáveis sem autorização judicial, realizada pelo ministro Dias Toffoli (STF), em julho do ano passado, também foi apontada pelo documento como um retrocesso. "A ação, praticamente paralisou o sistema de combate à lavagem de dinheiro do país", diz o relatório. Em novembro, a corte acabou revendo a decisão. 

"Para além de retrocessos especificamente na agenda anticorrupção, em 2019, multiplicaram-se os ataques disparados pelo presidente Bolsonaro e seus ministros contra a sociedade civil organizada e contra a imprensa. Ambas são absolutamente essenciais para a luta contra a corrupção e para o próprio regime democrático", contou Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, por meio de comunicado à imprensa. 

Veja as colocações:

Menos corruptos 
1º Dinamarca - 87 pontos
1º Nova Zelândia -87 pontos 
3° Finlândia - 86 pontos 

Mais Corruptos 
180º Somália - 9 pontos 
179º Sudão do Sul - 12 pontos 
178º Síria - 13 pontos 

América do Sul 
21° Uruguai - 71 pontos 
26º Chile - 67 pontos 
66º Argentina - 45 pontos 
106° Brasil - 35 pontos 
123º Bolívia - 31 pontos 
137º Paraguai - 28 pontos 
173 Venezuela - 16 pontos 

*Estagiário sob a supervisão de Vinicius Nader

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