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Correio Braziliense

Bolsonaro recua e diz que não há chance de esvaziar Ministério da Justiça

Presidente tinha confirmado que a proposta seria avaliada, mas voltou atrás após a declaração causar mal-estar com o ministro Sérgio Moro


postado em 24/01/2020 08:33 / atualizado em 24/01/2020 08:54

(foto: Prakash Singh / AFP)
(foto: Prakash Singh / AFP)
Nova Délhi — O presidente Jair Bolsonaro descartou, “no momento”, a possibilidade de dividir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, chefiado pelo ex-juiz Sergio Moro. “Está descartada (a divisão da pasta). A chance, no momento, é zero. Tá bom?”, afirmou o presidente nesta sexta-feira (24/1) a jornalistas assim que chegou ao hotel em que ficará hospedado até o dia 28.

Bolsonaro é o convidado de honra do governo da Índia para as festividades do Dia da República, no domingo (26/1). “Não sei amanhã. Na política, tudo muda. Mas não há intenção de dividir (o ministério da Justiça)”, completou. Presidente também reclamou que toda vez que ele viaja, ruídos são criados e ele não respondeu propriamente sobre o assunto porque estava em trânsito. “Toda vez que eu começo uma viagem cria-se um caos no Brasil. Peguei 25 horas de voo. Não pude responder à altura, porque não estava lá”, disse.

 

Ao ser questionado sobre a reunião em que essa possibilidade de divisão do Ministério da Justiça foi aventada, inclusive, foi cogitada que a nova pasta de Segurança seria chefiada pelo ex-deputado federal Alberto Fraga, o presidente afirmou que o horário era muito cedo e não dava para chamar o ex-juiz para o encontro. “Alguns dizem que eu devia ter convidado o Moro. Mas se tiver no gabinete, por exemplo, uma reunião de agronegócio e eu for chamar a ministra Tereza Cristina, ela não trabalha”, justificou.

 

O presidente descartou a existência de um clima tenso entre ele e o ministro Moro e usou um tom irônico para descartar qualquer fissura no relacionamento. “Nos entendemos muito bem. Estou até preocupado com a maneira cordial que nos nos entendemos”, afirmou.

 

De acordo com o presidente, desde a transição, a fusão do Ministério da Justiça e da Segurança Pública tinha divergências. “Há o interesse de partes de setores da política. Nós simplesmente aceitamos sugestões e, educamente, dissemos que iremos estudá-las. E os ministérios continuam, sem problema”, afirmou. “O governo está unido, sem problema. Sugestões chegam”, reforçou.

 

Ele disse que há também pressões para a divisão do Ministério da Fazenda e do Planejamento. “Se isso se torna público, já iam falar que eu quero enfraquecer o (Paulo) Guedes (ministro da Economia)”, brincou.


Na quinta-feira (23/1), Bolsonaro tinha confirmado que a proposta seria avaliada. “Isso é estudado, estudado com Moro, lógico que o Moro deve ser contra. Estudado com os demais ministros. O Rodrigo Maia (presidente da Câmara) é favorável à criação da Segurança. Acredito que a Comissão de Segurança Pública também seja favorável. Temos de ver como se comportam esses setores da sociedade para poder melhor decidir”, frisou.

O debate sobre a divisão do superministério criou um mal-estar com o ministro Sérgio Moro, que comanda a pasta. O ex-magistrado já tinha sentido o golpe de perder o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que foi para o Banco Central, e viu Bolsonaro contrariá-lo ao sancionar a lei anticrime sem veto ao juiz das garantias.

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