Politica

Brasil e Índia estreitam laços e firmam 15 acordos de cooperação

Atos assinados preveem parcerias em várias áreas, como energia, biocombustíveis, petróleo e gás e ciência e tecnologia


Nova Délhi -- No segundo dia de visita oficial à Índia, o presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, apresentaram uma lista de 15 atos com acordos de cooperação e memorandos de entendimento em várias áreas de interesse, como energia, petróleo e gás, biocombustíveis, biotecnologia, saúde, Previdência Social, ciência e tecnologia e segurança. Contudo, nenhum grande investimento foi anunciado pelos mandatários até o momento. Ambos reforçaram o interesse em ampliar cada vez mais a cooperação entre os dois países

Os atos foram assinados pelos por vários representantes do governo de cada país, respeitando suas respectivas áreas, após encontros entre os mandatários e, posteriormente, deles com autoridades dos dois países em uma reunião ampliada. Além do memorando de entendimento para cooperação nas tecnologias de biocombustíveis o  acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) foi um dos destaques apontados pelo governo. O ACFI tem como intuito estreitar as relações econômicas bilaterais. De acordo com dados do Itamaraty, a Índia tem importante participação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), com R$ 7 bilhões investidos no país, principalmente, na área de energia elétrica. As empresas brasileiras, por sua vez, investem nos setores indianos de motores elétricos, siderurgia, automação bancária e comercial e mineração, segundo a pasta.

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Os representantes dos dois países também se comprometeram em executar um Plano de Ação para celebrar os 75 anos das relações diplomáticas entre os dois países, que será comemorado em 2023, e aprofundar a Parceria Estratégica bilateral lançada em 2006. Para isso, está prevista a criação de vários grupos de trabalhos em áreas de interesse bilateral.

Um dos anúncios que eram aguardados durante a viagem de Bolsonaro, o da liberação do visto para os viajantes dos dois países, no entanto, acabou não tendo avanço nas conversas de hoje, apesar de ter sido mencionado pelo governo brasileiro. "Ainda está sendo estudada", afirmou o presidente.

Apesar de poucos resultados de curto prazo, o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, destacou que essa nova aproximação com a Índia é estratégica e seus frutos serão colhidos no futuro, uma vez que o país asiático vem crescendo em ritmo mais acelerado do que a China e sua população deverá ultrapassar a chinesa em menos de 10 anos, pelas estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU). 

“A Índia vem registrando crescimento acelerado e, quando ela ultrapassar a Índia, isso deverá provocar um novo boom das commodities, como aconteceu no início dos anos 2000, quando Pequim entrou para a OMC (Organização Mundial do Comércio)”, explicou Troyjo. Ele lembrou que, no período do último boom das commodities, quando a China tinha taxas de crescimento mais elevadas do que atualmente, o Brasil aproveitou o momento e teve o Produto Interno Bruto (PIB) impulsionado pelas exportações de alimentos, como grãos e carnes. “Quando a renda média de um país cresce, a primeira coisa que aumenta é o consumo de proteínas”, reforçou.


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Durante seu discurso de sete minutos, Modi fez questão de afirmar que o Brasil é “um parceiro valioso na transformação econômica da Índia”. Ele chamou Bolsonaro e os presentes de amigo várias vezes como sinal de apreço.  “Consideramos o Brasil uma fonte confiável para nossas necessidades nos campos de alimentos e energia, mas nosso comércio bilateral está crescendo”, afirmou. O premier ainda reforçou o interesse em ampliar as complementaridades entre as duas grandes economias. “Estamos felizes em receber a impressionante delegação de negócios do Brasil na Índia. Estou confiante de que suas interações com empresários e empresários indianos trarão bons resultados”, afirmou.

Bolsonaro, em seu discurso de apenas três minutos e meio, procurou agradecer a hospitalidade recebida e disse estar ansioso para acompanhar as festividades do 71º Dia da República, no domingo, evento em que ele será o convidado de honra. Ele é o terceiro presidente brasileiro a receber essa homenagem, ao lado de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.  Bolsonaro encerrou a fala dizendo que, apesar de faltarem dois dias para ele retornar ao Brasil, ele já estava com saudades.

A agenda da Bolsonaro começou pela manhã com um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, Subrahmanyam Jaishankar. Em seguida, o presidente foi para o Palácio Presidencial, onde foi recebido pelo primeiro-ministro indiano e passou a tropa em revista. Depois participou de cerimônia de entrega de flores no Memorial Mahatma Gandhi.