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Correio Braziliense

Bolsonaro participa de celebração do Dia da República da Índia

Bolsonaro foi presença de honra em tradicional desfile indiano. Alguns grupos de oposição protestaram contra a escolha do político brasileiro


postado em 26/01/2020 08:04 / atualizado em 26/01/2020 17:56

Ao voltar para o hotel, Bolsonaro ressaltou o poderio bélico indiano(foto: AFP / PIB / Handout)
Ao voltar para o hotel, Bolsonaro ressaltou o poderio bélico indiano (foto: AFP / PIB / Handout)
Nova Délhi - O presidente Jair Bolsonaro participou como convidado de honra das comemorações do 71º Dia da República da Índia, neste domingo (26/1), evento que para a capital indiana e que conta com desfiles de militares, alguns montados em camelos, misturado com carros alegóricos coloridos e decorados com flores, ao som de músicas típicas, parecendo um carnaval. Esta foi o segundo dia da visita oficial de Bolsonaro à Índia.

O primeiro desfile foi organizado em 1950 e as comemorações costumam ocorrer durante três dias. O evento é organizado pelo ministério da Defesa indiano. Cerca de 10 mil policiais fizeram a segurança do evento, bloqueando várias ruas próximas à região perto da Rajpath, avenida do desfile que terminava no Portão da Ìndia, um dos cartões postais da capital indiana. 

O convite a Bolsonaro para ele ser o chefe de honra da parada foi feito pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, quando ele esteve em Brasília em novembro passado para participar da cúpula dos Brics, grupo de nações emergentes também integrado por Rússia, China e África do Sul. Durante o desfile, o presidente acabou sendo flagrado pelas câmeras indianas dando um leve cochilo. 

O chefe do Executivo é o terceiro presidente brasileiro a receber essa homenagem desde 2004. Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso também participaram dessas festividades como convidados de honra.

Protestos

A presença do presidente brasileiro, no entanto, foi alvo de protestos de parlamentares indianos como Raija Sabha e  Binoy Viswan, que anunciaram boicote às festividades. Contudo, o protesto foi considerado “irrelevante e insignificante” pelo porta-voz do partido de Modi, o BJP, Narasimha Rao, conforme publicou o jornal Hindustan Times, que tinha fotos do premier e de Bolsonaro na capa da edição de hoje. 

Outro protesto foi organizado pela Tribal Army, maior organização tribal indiana, que também se posicionou contra a presença de Bolsonaro no país e, inclusive, criou a hashtag “gobackbolsonaro”, que está entre os principais assuntos da rede social Twitter na Índia.

Cansaço e armas

Ao retornar ao hotel onde está hospedado Bolsonaro admitiu que estava cansado devido ao jet lag. "Foi cansativo, por conta do fuso”, disse ele aos jornalistas. Em relação ao poderio bélico da Índia, ele reconheceu que ele é bem maior do que o do Brasil por conta de o país asiático ter armas nucleares.

“Acho que as armas de ponta não estavam ali (no desfile), porque todo mundo semrpre esconde essa questão. É um país nuclear e, graças, obviamente, ao seu poderio, é um país que ajuda a decidir o futuro da humanidade”, destacou.

Quando questionado sobre que tipo de cooperação o Brasil poderia ter com a Índia na área de Defesa, o presidente afirmou que isso virá em uma “próxima oportunidade” e o ministro da Defesa, Fernando Albuquerque, deverá participar das conversas com os indianos.

“Olha, a Índia, praticamente, tem a metade do nosso território, uma população cinco ou seis vezes maior do que nossa e faz história com a economia à nossa frente. O que falta para a gente crescer?”, questionou e, em seguida, emendou:  “A gente consegue, mas eu não vou falar para não dar manchete para os jornais amanhã.” 

Bolsonaro reconheceu ainda que o fato de a Índia ter armas nucleares é que faz o país ser mais respeitado. “Inclusive, os problemas que existem na região não chegam às ultimas consequências justamente pelo poderio bélico que eles têm”, destacou. Contudo, ele evitou falar sobre a possibilidade de retomar essa discussão de ter armas nucleares no Brasil “Eu não vou responder isso. Está na nossa Constituição que energia nuclear só pode ser usada para fins pacíficos”, disse.

Postagem

Pela manhã, nas redes sociais, o presidente postou uma foto comemorando o Dia da República da Índia junto com uma foto de Mahatma Ghandi e, ao lado, frases do pacifista sobre o que destrói o ser humano: “Política sem princípios, Prazer sem compromisso; Riqueza sem trabalho; Sabedoria sem caráter; Negócios sem Moral; Ciência sem humanidade e Oração sem caridade”.   

No sábado (25/1), o presidente brasileiro visitou o Memorial Mahatma Ghandi, onde prestou uma homenagem com uma coroa de flores brancas. “Eu sou um capitão do Exército, ele é um pacifista”, disse ao ser questionado sobre o que achava do guru indiano.

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