Politica

''Eu quero reduzir a carga tributária'', diz Bolsonaro

Presidente, na Índia, defende redução de impostos, mas admite que há dificuldades para colocar esse tipo de medida em prática

Rosana Hessel - Enviada Especial
postado em 26/01/2020 13:37
As contas públicas estão no vermelho desde 2014 e, pelas estimativas do mercado, apesar de haver uma redução no tamanho do rombo nos últimos dois anos, é provável que o mandato de Bolsonaro termine e o governo não consiga registrar um superavit primário
Nova Délhi
- O presidente Jair Bolsonaro afirmou que pretende reduzir a carga tributária, mas existem obstáculos para que isso ocorra, como a questão fiscal. Contudo, ele não precisou quando isso poderia acontecer. ;Eu quero reduzir a carga tributária, mas é dificil;, disse ele a jornalistas neste domingo (26/1), no segundo dia da visita de Estado à Índia.
As contas públicas estão no vermelho desde 2014 e, pelas estimativas do mercado, apesar de haver uma redução no tamanho do rombo nos últimos dois anos, é provável que o mandato de Bolsonaro termine e o governo não consiga registrar um superavit primário. ;Este ano, devemos completar o ano devendo, bem menos do que no ano passado e do que no ano retrasado. Mas devendo ainda;, disse ele, mas garantiu em a queda do imposto é uma meta. ;Essa redução (da carga tributária), o pessoal (da equipe econômica) não sabe o momento certo quando ela deve começar;, afirmou.

Desde que desembarcou na Índia, na sexta-feira (24/1), o presidente descartou qualquer possibilidade de aumento de imposto. Apesar de o discurso recente da equipe econçomica esteja mais focado em simplificar e diminuir a burocracia para que a atividade econômia comece a registrar uma taxa de crescimento mais robusta, Bolsonaro admitiu que apenas isso não vai resolver. ;Não é apenas desburocratizar e desregulamentar, mas é preciso diminuir a carga tributária para estimular que a industria vá para frente no Brasil;, reforçou.

Bolsonaro cogitou adotar medidas de estímulo fiscal, como fez o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reduziu os impostos. ;A carga tributaria é um absurdo;, avaliou. ;Não tenho dúvida de que a redução ajudaria a economia. O Trump baixou o imposto dos empresários e a economia foi lá para cima;, comparou ele, em uma sinalização na contramão da cartilha liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. ;É a minha opinião. A pessoa mais certa para responder isso é o Guedes;, disse.

Ao ser questionado pelo Correio sobre que reforma tributária ele deseja, Bolsonaro tentou sair pela tangente. ;Eu já falei que nao entendo nada de economia. Vocês desceram a lenha em mim. Eu contratei, entre aspas, um posto Ypiranga. Eu não vou contratar o Nelson Piquet para trabalhar comigo, botar do lado e eu dirigir o carro;, afirmou.

Em seguida, ao defender a necessidade de reduzir a carga tributária, ele defendeu a simplificação. ;Para ser patrão no Brasil, tem muita dificuldade;, disse ele, citando caso da companhia aérea que perdeu uma ação na Justiça em 26 estados por não retirar um item do cardápio e oferecer outro ao consumidor. ;Quem quer ser patrão no Brasil tem que ser herói ou faltar um parafuso na cabeça;, afirmou.


Críticas


Uma das principais críticas de economistas ao governo é a demora em apresentar a reforma tributária. O Congresso tem duas propostas tramitando na Câmara, a PEC 45/2019, e no Senado, a PEC 110/2019, e tem demonstrado interesse em fundir as propostas em uma comissão mista que não avançou no recesso.

Mais cedo, o presidente admitiu que é preciso correr contra o tempo neste ano devido às eleições municipais. O Executivo tem até junho para conseguir aprovar qualquer mudança na Constituição e, por conta disso, é provavel que as duas reformas, a administrativa (que está ;quase pronta;) e a tributária, sejam encaminhadas juntas ao Legislativo.

Demonstrando a dificuldade para aprovar uma reforma tributária no Congresso, o presidente lembrou que ela exige um consenso entre os entes federativos e a União. ;Não culpem só a mim. Os estados têm independência e autonomia para mexerem nos percentuais dos impostos. Os municípios, em parte, também. É bastante complexo;, disse. ;Passei 28 anos dentro da Câmara. Nunca chegou uma reforma tributária até o final porque não antende o estado, o município e a União. Não atendendo os três, ninguém quer perder nada, todo mundo acaba perdendo muito e o Brasil continua nesse cipoal tributário, que dificulta você produzir, você empregar, encarece você exportar;;, acrescentou.

O presidente disse ainda que pretende se empenhar para reduzir a burocracia, que é uma causas da corrupção, seja junto às Forças Armadas, seja aos órgãos governamentais. ;A gente está se virando, correndo atrás para facilitar a vida de quem quer empreender no Brasil;, afirmou. Bolsonaro defendeu também uma forma de conscientização maior do consumidor para mostrar de forma mais clara o peso dos impostos nos rótulos dos produtos de forma a criar uma ;conscientização contra a carga tributária. ;Quando eu era garoto, tinha o preço da fábrica e o máximo valor cobrado ao consumidor;, disse ele, reclamando de toda vez em que a Petrobras reduz o preço da gasolina na refinaria, ;o preço aumenta na bomba;.

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