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Correio Braziliense

Ampliação de acordo entre Mercosul e Índia dependerá da Argentina

Reunião entre os integrantes do grupo sul-americano para tratar do assunto ainda precisa ser marcada com os países membros


postado em 26/01/2020 16:59 / atualizado em 26/01/2020 17:54

(foto: AFP PHOTO / PIB)
(foto: AFP PHOTO / PIB)
Nova Délhi -- Apesar de Brasil e Índia sinalizarem o interesse de ampliar o acordo de preferências tributárias entre o Mercosul e a Índia, ele vai depender das negociações entre os demais membros do bloco sul-americano: Argentina, Paraguai e Uruguai. Atualmente, cerca de 500 produtos fazem parte da lista preferencial entre as duas partes.

 

De acordo com técnicos do governo, essa reunião ainda não está prevista e, portanto, pode demorar, ainda mais porque o Brasil ainda não conversou diretamente com os novos integrantes do governo Alberto Fernández. O novo presidente argentino e sua vice, Cristina Kirchner, tomaram posse em 10 de dezembro passado. Como Bolsonaro não foi à posse mas mandou o vice-presidente Hamilton Mourão, a Argentina pode ser uma resistência.

 

Outro ponto de preocupação com os técnicos, o fato de a Índia ser um dos países mais protecionistas da Ásia, principalmente, na área agrícola, também pode prejudicar o avanço das negociações no ritmo que o presidente brasileiro espera. Não se sabe até que ponto o país asiático pretende ceder nas mesas de negociações, apesar de Bolsonaro já ter sinalizado de que pretende retirar a ação contra a Índia na Organização Mundial de Comércio (OMC), sem dar muitas explicações ao órgão que está desfalcado na área que julga os conflitos comerciais.

 

Ao ser questionado sobre o assunto durante o segundo dia de visita de Estado à Índia, o presidente Jair Bolsonaro espera que a Argentina continue apoiando as negociações em curso que o bloco vem tentando ampliar. No ano passado, o bloco fechou dois importantes acordos de livre comércio. O primeiro, com a União Europeia, que vinha sendo aventado há duas décadas, mas teve uma retomada mais forte durante o governo de Michel Temer, em junho. E, o segundo, com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), bloco integrado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, em agosto. As negociações entre os dois blocos foram lançadas em janeiro de 2017 e finalizadas após dez rodadas.

 

“Espero que a Argentina não crie problemas no Mercosul e continue agindo em bloco como todo mundo”, afirmou Bolsonaro, neste domingo (26/01) a jornalistas, durante o segundo dia da visita de Estado à índia. O presidente chegou à capital indiana na sexta-feira (24/01) e retorna ao Brasil no início da noite de segunda-feira (27/01).

 

O Acordo de Comércio Preferencial (ACP) entre Mercosul Índia foi o primeira da modalidade a ser firmado pelo bloco sul-americano. Ele engloba 450 produtos ofertados pela Índia e 452 itens pelo Mercosul, com margens de preferência tarifária na compra de bens e serviços. Bolsonaro disse ontem que esperava que esse número de itens preferenciais fosse ampliado para 1,5 mil a 2 mil itens, mas admitiu que esse número pode ser maior. “A ideia é ampliar o máximo possível”, declarou, em tom otimista. 

 

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