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Correio Braziliense

Bolsonaro faz balanço positivo de viagem à Índia

Após quatro dias em visita à Índia, sendo três deles em visita de Estado, presidente afirma que um "futuro promissor nos aguarda"


postado em 27/01/2020 07:06 / atualizado em 27/01/2020 08:56

"O Brasil recupera a sua confiança no mundo e um futuro promissor nos aguarda", disse o presidente (foto: Alan Santos/PR)
Nova Délhi --  Ao encerrar os compromissos oficiais do último dia da visita de Estado à Índia, o presidente Jair Bolsonaro fez um balanço positivo da viagem

“Estou muito feliz com a minha passagem por aqui e muito honrado de ser convidado a participar da solenidade da data da República. Estamos encerrando a missão na Índia voltando para o brasil com boa notícia”, disse o presidente, nesta segunda-feira (27/01) a jornalistas, após participar da abertura do seminário de negócios  “India-Brazil Business Forum”, em Nova Délhi. “O Brasil recupera a sua confiança no mundo e um futuro promissor nos aguarda”, garantiu.

Durante a sua apresentação, o presidente voltou a falar de como foi sua trajetória até chegar à Presidência e destacou como principal fator para que essa confiança fosse retomada a conclusão da reforma da Previdência. Ele a chamou de  “grande obra” do primeiro ano de governo, porque “outros não conseguiram fazer”. E foi bastante aplaudido quando a chamou de “A mãe das reformas”. 

“Os números se fizeram presentes e o mundo começou a olhar com maneira diferente para nós”, destacou ele, citando uma das consequências da aprovação da mudança no sistema de aposentadorias que foi a queda na taxa básica de juros (Selic), que está no menor patamar da história, de 4,5% ao ano. “Os juros chegaram a um nível nunca imaginado no nosso país. Isso faz com que a projeção da nossa dívida diminua com o tempo. Transforma o Brasil mais confiável em honrar seus compromissos”, acrescentou.

Durante a visita de Estado, que começou no sábado (25), foram assinados entre os governos brasileiro e indiano 15 acordos de cooperação e memorandos de entendimento em várias áreas, como energia, agricultura, ciência e tecnologia, facilitação de negócios e biocombustíveis. A aguardada liberação dos vistos para viajantes dos dois países, no entanto, não foi anunciada. “Estamos estudando ainda”, reiterou Bolsonaro. 

Em relação à aproximação do Brasil com a Ìndia, o presidente reforçou a estratégia da ampliação de parcerias entre os dois países como forma de ajudar no crescimento conjunto e no comércio bilateral. “A oportunidade está aí. Somos 20% da população mundial. Estamos entre as 10 maiores economia do mundo. Temos muito a fazer juntos e, dessa forma, elevar Brasil e Índia a um local de destaque que eles merecem”, explicou.

O compromisso conjunto dos dois países é trabalhar acordos e parcerias para mais do que dobrar a corrente comercial, de US$ 7,1 bilhões em 2019, para US$ 15 bilhões até 2022. 

No seminário, o presidente foi o último a falar na abertura após a exposição de ministros dos dois países e ele disse que ficou orgulhoso com o que ouviu. “Isso me dá certeza de que chegaremos a um local de destaque para o nosso país”, disse.

No encerramento, Bolsonaro reforçou que descobriu mais semelhanças do que imaginava entre Brasil e Índia. “Temos a lealdade, temos a cultura, temos a vontade de crescer e temos um povo maravilhoso. Conseguimos todos os objetivos que nós queremos”, completou.

O seminário, realizado no hotel Taj Palace, um dos mais tradicionais da capital indiana, tinha cerca de 450 participantes. Um dos organizadores do evento, a Apex Brasil,  informou que foram convidados 70 empresas brasileiras e, do lado indiano, segundo a assessoria do governo, havia 164 empresas indianas presentes. 

Não foram anunciados investimentos no Brasil. Do lado brasileiro, no entanto, a fabricante de motores industriais WEG, anunciou a ampliação de sua fábrica na Índia, iniciando a produção de geradores de energia eólica na unidade de  Husur, ao sul de Nova Délhi, apostando no potencial de diversificação da matriz energética indiana. 

A empresa sediada em Santa Catarina e com faturamento anual de R$ 11,9 bilhões está no país asiático desde 2009, vai investir US$ 20 milhões nessa empreitada. Segundo o diretor geral da companhia, João Paulo Gualberto da Silva, a expectativa é ampliar o quadro atual de 850 para 1,1 mil funcionários até o fim do ano. 

Durante o seminário, os destaques entre as autoridades brasileiras ficou por conta da secretária Especial para Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), da Casa Civil, Martha Seillier, que anunciou a intenção de dobrar o número de projetos neste ano. 

Em 2019, foram realizados 39 leilões e um dos mais aguardados para este ano será o das licenças para o serviço da quinta geração da telefonia móvel (5G), que devem movimentar R$ 20 bilhões em investimentos no mercado. “Precisamos de mais investimentos privados. Em 2020 vamos dobrar os projetos e temos importantes investimentos acontecendo nos aeroportos”, afirmou

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, destacou a importância dos acordos firmados entre os dois países em busca de ampliar a cooperação na ampliação do comércio e também na transferência de tecnologia em vários segmentos, como etanol e biotecnologia. Ela ressaltou que o potencial da parceria para cooperação em biocombustíveis é grande, porque a Índia é o maior produtor mundial de açúcar, e o uso da tecnologia do etanol na mistura da gasolina também deve alavancar negócios. Outro mercado que está sendo aberto pela Índia para o Brasil é abriu o mercado para o gergelim brasileiro.

Tereza ainda ressaltou que o crescimento da exigência para a produção agrícola com impacto ambiental mínimo é uma oportunidade para a agroindústria nacional. “Queremos nos tornar uma potência agroambiental global e a preservação do meio ambiente não é uma ideia conflitante. A agricultura é um dos setores mais afetados pela mudanças climáticas”, disse. 

Após o seminário, Bolsonaro viajou no início da tarde para Agra, onde foi visitar o Taj Mahal, famoso palácio da mármore e um dos principais cartões postais da Índia. Na volta, no fim da tarde, ele embarca de volta para o Brasil.

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