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Parlamentares repudiam acusações de depoente

 
Um dia depois do depoimento de Hans River do Rio Nascimento, na CPMI das Fake News, no Senado, que insultou a jornalista Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S.Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), repudiou, ontem, as acusações do ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows, uma das companhias que realizaram disparo em massa de mensagens no WhatsApp na eleição de 2018. O parlamentar lembrou que dar falso testemunho dentro de uma comissão do Congresso é crime.

O ex-funcionário da Yacows acusou a repórter de se insinuar sexualmente em troca de informação. Segundo Maia, “dar falso testemunho numa comissão do Congresso é crime. Atacar a imprensa com acusações falsas, de caráter sexual, é baixaria com características de difamação. Falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser punidos no rigor da lei”, postou o presidente da Câmara em seu Twitter, em referência ao depoimento de Hans.

Outros parlamentares também repudiaram a declaração falsa de Hans. O líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), concordou com o presidente da Câmara, e entende que o depoente praticou um crime. “Quem vai falar em uma CPI tem o compromisso de dizer a verdade. A atitude que deveria ser tomada pela direção da CPMI, ou por qualquer dos seus membros, era ter dado voz de prisão em flagrante ao cidadão”, cobrou.

A Folha desmentiu as acusações de Hans. “A Folha repudia as mentiras e os insultos direcionados à jornalista Patrícia Campos Mello na chamada CPMI das Fake News. O jornal está publicando documentos que mais uma vez comprovam a correção das reportagens sobre o uso ilegal de disparos de redes sociais na campanha de 2018”, diz a nota divulgada pelo jornal.

O ex-funcionário da Yacows disse na comissão, em certo trecho, que “ela (Patrícia) queria sair comigo, eu não dei interesse para ela. Ela parou na porta da minha casa e se insinuou para entrar na minha casa, com o propósito de pegar a matéria. Está certo? Ela se insinuou para entrar”. E prosseguiu na acusação: “Quando eu cheguei à Folha de S.Paulo, quando ela escutou a negativa, o distrato que eu dei, e deixei claro que eu não fazia parte do meu interesse a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção... A minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro”.

A declaração foi repercutida pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) durante a CPMI. “Eu fiquei aqui perplexo de ver, mas eu não duvido que a sra. Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o sr. Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro”.

Arquivado pedido de cassação de Zambelli
Por 13 a 0, o Conselho de Ética da Câmara arquivou a representação do PSL contra a deputada Carla Zambelli (SP), do mesmo partido, acusada de quebra de decoro por declarações que fez contra a colega Joice Hasselmann (PSL-SP) nas redes sociais. A decisão acompanhou o parecer do relator, deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA), contrário à abertura de processo. O caso se refere aos tuítes em que Carla defendia que o deputado Delegado Waldir (GO) fosse substituído por Eduardo Bolsonaro (SP), na liderança do PSL na Câmara. Em uma das postagens, ela chamou Joice de “Peppa”, em referência ao desenho animado “Peppa Pig”.

Definido relator para caso da Juíza Selma
O senador Eduardo Gomes (MDB-TO), líder do governo no Congresso, vai relatar o ofício no qual o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina a perda de mandato da senadora Juíza Selma (Podemos-MT) por caixa dois e abuso de poder econômico, nas eleições de 2018. Foi escolhido ontem, durante reunião da Mesa do Senado, conduzida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). A defesa da parlamentar pediu aos senadores para que a decisão sobre a cassação seja tomada só depois de examinados os recursos protocolados no TSE e no Supremo Tribunal Federal. A resposta será dada na próxima reunião da Mesa, em 3 de março.