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Correio Braziliense

Bolsonaro pede perícia independente no corpo de miliciano morto na Bahia

"Já tomei providências legais para que seja feita uma perícia independente", disse o presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (18/2)


postado em 18/02/2020 10:59 / atualizado em 18/02/2020 11:33

(foto: Marcos Corrêa/PR)
(foto: Marcos Corrêa/PR)
O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na manhã desta terça-feira (18/2), que tomou medidas legais para obter uma perícia independente no corpo de Adriano da Nóbregao miliciano que morreu na semana passada durante uma operação policial no município de Esplanada (BA). O ex-policial tem ligação com um dos filhos de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, que empregou parentes de Adriano em seu gabinete quando era deputado estadual no Rio.

 

"Já tomei as providências legais para que seja feita uma perícia independente. Porque, sem isso, você não tem como buscar até, quem sabe, quem matou a Marielle. A quem interessa não desvendar a morte da Marielle? Os mesmos que não interessam desvendar o caso Celso Daniel. São exatamente os mesmos”, apontou.

 

Durante entrevista à imprensa, na porta do Palácio da Alvorada, o chefe do Executivo deu a entender que tem informações sobre que medidas o Ministério Público da Bahia pode tomar nesta terça-feira sobre o caso.

"Pelo que estou sabendo, o MP federal da Bahia, não tenho certeza, vai cobrar uma perícia independente hoje. É o primeiro passo para começar a desvendar as circunstâncias que ele morreu e por quê. Poderia interessar para alguém a queima de arquivo. O que ele teria para falar? Contra mim que não era nada. Se fosse contra mim, tenho certeza que os cuidados seriam outros, para preservá-lo vivo", afirmou.

 

O presidente disse ainda que teme que o telefone periciado seja contaminado e que sejam inseridos áudios ou conversas no WhatsApp. "Tem outra coisa mais grave. Vai ser feita perícia no telefone apreendido com ele. Será que essa perícia poderá ser insuspeita? Porque eu quero uma perícia insuspeita. Por quê? Nós não queremos que sejam inseridos áudios no telefone ou inseridas conversações no WhatsApp", justificou, alegando que poderia ser prejudicado.

"Que depois que se faz uma perícia, se porventura, vamos deixar bem claro, se porventura, uma pessoa seja atingida, que pode ser eu, apesar de ser presidente da República, imagina se eu fosse cidadão comum, apesar de ser presidente da República, quanto tempo levaria para essa nova perícia?", emendou, dizendo que o "tempo todo" tentam vinculá-lo a algum caso.

 

Carta de governadores

Ele ainda comentou a carta assinada e divulgada, nessa segunda-feira (18/2), por 20 governadores na qual reclamavam da postura de Bolsonaro por comentários sem provas no caso Adriano. "Nessa carta (dos governadores ) tem algo mais grave ali. Eles estão ali criticando minha postura no caso do capitão Adriano.

 

"Eu esperava que os  governadores, esses que assinaram a carta sobre esse assunto específico, fossem querer uma investigação isenta no caso Adriano. Mas pelo que tudo indica, a própria Veja fez a matéria, não estou dando credibilidade à imprensa, mas a Veja fez a matéria ouvindo perito. Os peritos alegaram ali, pelo que tudo indica,  que o tiro foi à queima roupa, então foi queima de arquivo. Interessa a quem a queima de arquivo? A mim? A mim não. Zero", justificou.

 

Federalização do caso 

Questionado se havia conversado com o ministro da Justiça, Sergio Moro, a respeito uma eventual federalização do caso, Bolsonaro respondeu: "Se federalizar... Está numa sinuca de bico. Alguns podem achar que, ao federalizar, eu teria alguma participação, alguma influência no destino da investigação. É zero. Se o Moro achar que deve federalizar, a decisão é dele. Eu não vou falar para ele não ou sim. A decisão é dele".

 

Em seguida, emendou: "As investigações conduzidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, a começar pelo caso do porteiro, você já vê que está contaminado. Por exemplo, agora diz que a voz não é do porteiro. Foi feita alguma nova investigação sobre o porteiro? Não foi. Em federalizando, vai ter que ir pra cima do porteiro. Por que você falou isso? Ele falou, depois desmentiu o que falou, depois desmentiu de novo. Tá assim o negócio".

"Eu quero é saber quem mandou matar a Marielle, sem problema nenhum. Assim como quero saber quem matou Celso Daniel, assim como acho que todo mundo quer saber quem mandou matar um tal de Jair Bolsonaro. Por coincidência, o cara que me esfaqueou foi filiado ao PSOL até bem pouco tempo. Essas são as verdades que têm que ser colocadas para fora. E não é difícil colocar para fora”, concluiu.

Ainda nesta manhã, Bolsonaro comentou nas redes sociais o fato de a Justiça ter decidido não preservar o corpo de Adriano. "Sem uma perícia isenta os verdadeiros criminosos continuam livres até para acusar inocentes do caso Marielle", escreveu. O comentário é alusivo ao fato de que ele chegou a ser citado na investigação do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.


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