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Correio Braziliense

''Eu agredi sexualmente a repórter?'', questiona Bolsonaro

O presidente reclamou da cobertura da imprensa sobre comentário, mais cedo, no qual disse que uma jornalista "queria dar um furo a qualquer preço"


postado em 18/02/2020 16:50 / atualizado em 19/02/2020 09:41

Bolsonaro perguntou a jornalistas se ele havia ofendido a jornalista(foto: Marcos Corrêa/PR)
Bolsonaro perguntou a jornalistas se ele havia ofendido a jornalista (foto: Marcos Corrêa/PR)
Após a repercussão negativa de seu comentário sobre a jornalista Patrícia Campos Mello, no qual disse, na manhã desta terça-feira (18/2), que a repórter da Folha de S. Paulo "queria dar um furo a qualquer preço", o presidente Jair Bolsonaro reclamou da cobertura da imprensa sobre o episódio.

Horas depois do comentário, após reunião ministerial, Bolsonaro questionou se, entre os jornalistas presentes, havia algum da Folha. Então, disse, irritado: "Eu agredi sexualmente uma repórter hoje? Parabéns à mídia aí. Valeu, hein? Eu cometi violência sexual contra a repórter hoje?".

Questionado se não achava desrespeitosa a forma como se referiu ao trabalho da jornalista, Bolsonaro não respondeu e entrou no carro, rumo ao Palácio do Planalto, onde deu posse ao ministro Onyx Lorenzoni na pasta da Cidadania e ao general Braga Netto, na Casa Civil.

"Ela queria dar um furo"

As críticas ao presidente começaram logo após ele comentar com simpatizantes que o aguardavam na saída do Palácio do Planalto o trabalho da jornalista, autora de matéria que denunciou o disparo de mensagens de celular ilegais durante a campanha presidencial. "Ela queria um furo. Ela queria dar um furo a qualquer preço contra mim", disse rindo e arrancando gargalhadas de alguns dos presentes.

Na semana passada, Hans River, um ex-funcionário de uma empresa de comunicação que serviu de fonte da matéria de Patrícia, disse aos parlamentares da CPI das Fake News que a jornalista havia se insinuado sexualmente para ele em troca de informações. As declarações foram contestadas com materiais divulgados pela Folha em formato de mensagens de texto e áudios. Além disso, o depoimento de River foi rechaçado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Pouco depois do comentário de Bolsonaro a simpatizantes, nesta terça-feira de manhã, a Folha emitiu nota de repúdio: "O presidente da República agride a repórter Patrícia Campos Mello e todo o jornalismo profissional com a sua atitude. Vilipendia também a dignidade, a honra e o decoro que a lei exige do exercício da Presidência". A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também se manifestou, por meio de nota assinada por seu presidente (leia abaixo).


Nota da ABI sobre comentário de Bolsonaro

"Nesta terça-feira, mais uma vez, para vergonha dos brasileiros, que têm o mínimo de educação e civilidade, o presidente da República, Jair Bolsonaro, é ofensivo e agride, de forma covarde, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo.

Este comportamento misógino desmerece o cargo de Presidente da República e afronta a Constituição Federal. 

O que temos visto e ouvido, quase cotidianamente, não se trata de uma questão política ou ideológica. Cada dia mais, fica patente que o presidente precisa, urgentemente, de buscar um tratamento terapêutico.

A ABI conclama a sociedade brasileira a reagir às demonstrações do “Cavalão”, como era conhecido Bolsonaro na caserna, e requer à Procuradoria Geral da República que cumpra o seu papel constitucional, denunciando a quebra de decoro pelo ex-capitão Jair Bolsonaro.

Paulo Jeronimo de Sousa
Presidente da Associação Brasileira de Imprensa"

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