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Correio Braziliense

Para Maia, ofensa de Bolsonaro tem potencial para prejudicar a economia

Presidente da Câmara também criticou uma fala do general Augusto Heleno contra o Congresso


postado em 19/02/2020 12:35 / atualizado em 19/02/2020 15:29

(foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados )
(foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados )
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, comentou, na manhã desta quarta (19/2) ao chegar ao Congresso, sobre os ataques do presidente da República, Jair Bolsonaro, contra uma jornalista da Folha de São Paulo, e sobre a fala do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, contra o Congresso, em uma cerimônia no Palácio da Alvorada, nesta terça (18/2). Maia afirmou que o ataque do presidente tem potencial para prejudicar a economia do páis e que o general, embora competente, falou de forma infeliz, como um “radical ideológico” contra a democracia. 

 

Bolsonaro atacou a jornalista Patrícia Campos Mello nesta terça (18), quando ele afirmou que a repórter "queria um furo”. “Ela queria dar um furo a qualquer preço contra mim", afirmou aos risos, fazendo insinuações sexuais contra a profissional. “Todos sabem a minha posição. Eu não preciso ficar narrando toda vez que um episódio triste e lamentável como esse acontece. Todo mundo sabe minha posição, a importância que tem para a democracia a liberdade de imprensa, o respeito às mulheres e aos jornalistas”, afirmou Maia ao entrar no prédio.

 

“Tudo que acontece que vai na linha contrária, vai sinalizando de forma negativa para a sociedade e para os investidores no Brasil. Por isso, quando começa o ano, a economia está em um patamar mais alto e, quando está terminando o ano, caminha para um patamar mais baixo. Porque sempre vai gerando esse tipo de declaração, perplexidade e insegurança na sociedade brasileira”, alertou.

 

"Radical ideológico"

Quanto à fala do general Heleno, Maia foi mais duro. O militar afirmou, na manhã dessa terça-feira (18/2), no Alvorada, ao demonstrar insatisfação com um acordo entre parlamentares e o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, sobre controle da execução de emendas parlamentares ao orçamento, que o Congresso estaria chantageando o governo. "Nós não podemos aceitar esses caras chantagearem a gente o tempo todo. F***-se", disparou Heleno.

 

“Acho que é uma frase infeliz do ministro. Geralmente, na vida, quando vamos ficando mais velhos, vamos ganhando equilíbrio e experiência e paciência. O ministro, pelo jeito, está ficando mais velho e está falando como um jovem, um estudante no auge da sua juventude. Uma pena que um ministro com tantos títulos tenha se transformado em um radical ideológico contra a democracia, contra o parlamento, muito triste”, afirmou Maia.

 

Na sequência, o presidente da Câmara afirmou que Heleno já atacou o parlamento outras vezes, mas não quando deputados e senadores votavam o aumento dos oficiais. “Não ouvi, por parte dele, nenhum tipo de ataque ao parlamento quando estávamos votando o aumento do salário dele como militar da reserva. Quero saber dele se ele acha que o parlamento foi chantageado por ele ou por alguém, para votar, ou chantageou alguém para votar o PL das Forças Armadas” disse.

 

“É uma pena que um homem com tanta experiência e tanta qualificação se transforme em um ideológico. Talvez ele estivesse melhor em um gabinete de rede social tuitando, agredindo, como muitos fazem, como ele tem feito ao parlamento nos últimos meses. Não é a primeira vez que ele ataca. Só que dessa vez veio a público. É uma pena, pois todos nós sabemos da competência dele na carreira militar”, destacou Maia.

 

Ainda segundo o presidente da Câmara, Heleno deveria cuidar para ter outra relação com os parlamentares. “É uma pena que ele considere a relação entre o parlamento, o parlamento que tanto tem produzido para o Brasil, muitas vezes em conjunto com o governo, principalmente com a equipe econômica do governo, como sendo a de um parlamento que quer chantagear, pressionar. Muito pelo contrário.” 

 

“O parlamento, se quisesse apenas deixar as pautas correrem soltas, o governo não ganhava nada aqui dentro. Tudo é feito por responsabilidade, principalmente responsabilidade com o Brasil, que tem a Câmara e o Senado também. É uma pena que o ministro tenha dito isso. A gente espera que possa continuar com nosso diálogo com o governo, organizando as pautas e votando aquilo que a gente considera mais importante para o Brasil”, alertou Maia.

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