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Servidores preparam paródias para "homenagear" o governo no carnaval

Bolsonaro e Paulo Guedes são alvos preferenciais das paródias, que citarão as milícias, a ''rachadinha'' e os ataques ao funcionalismo e aos empregados domésticos

Vera Batista
postado em 21/02/2020 06:00
ilustração de máscara de carnavalOs servidores vão botar o bloco na rua e dar o troco ao governo, mas com muito humor, neste carnaval. Em todo o país, sambas, marchinhas e frevos foram criados ou adaptados contra os ataques que sofreram, se manifestarem contra a reforma administrativa e, ainda, para alfinetar o presidente Jair Bolsonaro enfatizando as supostas ligações dele e dos filhos com as milícias e as ;rachadinhas;. Vão distribuir panfletos, usar camisetas com mensagens específicas e chamar a atenção da sociedade.

Vladimir Nepomuceno, ex-diretor de relações do trabalho do Ministério do Planejamento, garante que a crítica ao governo será forte. ;Visitei diversas entidades sindicais em todo o país. Todas elas vão fazer algum tipo de protesto, todas estão preparando material de divulgação sobre a importância do serviço público para a população;, reforçou.

De acordo com Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), o carnaval trará muito mais novidade, com uma infinidade de paródias Brasil afora. ;Não adianta destratar e depois pedir desculpas, achando que está tudo bem. Não aceitamos e a reação vai ser enorme;, afirmou. Ele lembra que, em Recife, tem o ;Bloco do Abre o Olho;, que sai hoje à tarde. ;Acompanhe e veja a criatividade do povo;, exortou.

Os servidores do INSS criaram uma paródia com a marchinha A Jardineira, originalmente composta por Benedito Lacerda e Humberto Porto, em 1938. A versão é intitulada ;Pinochetar, especular, parasitar: a vida de Paulo Guedes;. Na letra, desancam: ;Ô Paulo Guedes, sei que foste ao Chile/O que será que te apeteceu/Foi lá bancar o Chicago boy/Porque, no Brasil, tentou mas não deu/Guedes-carrapato/Chupa o sangue do trabalhador/É um banqueiro/E só sabe especular/Como todo parasita/Ele quer privatizar;.

A Frente Parlamentar do Serviço Público questiona: ;Alô, presidente/O que está acontecendo?/O que ;cê tá fazendo;?/O que ;cê tá fazendo;?;.

A brincadeira com o ministro começou a correr as redes sociais. Um bloco do Rio de Janeiro apresentou a ;empregada do Guedes; ; em referência ao comentário que fez sobre de que no tempo em que o dólar esteve baixo, até os funcionários domésticos podiam ir à Disney. Um folião carioca criou a indumentária de uniforme, avental de cozinha, laçarote da ;Minnie;, bichinho de pelúcia do ;Mickey; e mala de viagem com adesivos do parque na Califórnia (EUA).

Como acompanhamento musical, a marchinha Você Não Quer Dividir o Avião, de Zeca Baleiro, é a mais indicada. Diz: Você não quer dividir o avião/Com pobre, né, irmão?/Se você pudesse, você viajava em dois assentos/Seu ego gigante não sabe o que é constrangimento/A riqueza é uma casa nos ares/Acima da miséria que aflige milhares/E ainda por cima você fala em nome de Cristo/Acha que o reino dos céus é seu/Ai, meu Deus, ai meu Deus, olhai pra isto/Por que fala em Cristo/Se age como um fariseu?;.

Em Brasília, o Pacotão, que nasceu em plena ditadura militar e saiu na contramão da W3, chega com letra e música de autoria de Sóter, Maria Sabina e Assis Aderaldo prometendo escrachar ;essa milícia e também o laranjal; No refrão, a crítica: ;Ô seu Queiroz, que vida boa/Engordando a rachadinha da patroa/Esse Queiroz né mole, não/Também remexe no cofrinho do patrão;.

O Comuna Que Pariu, do Rio, que por questão de segurança não revela por onde vai passar, não faz por menos: ;Abaixo à retirada de direitos/Basta ao fascismo/Chega de intolerância religiosa/Chega de matar criança, chega de matar pobre!”.

Também ficou famosa, pela internet a marchinha O Oscar é dele! Talquey, da Família Passos, que dá um puxão de orelhas em Paulo Guedes. ;Eu conheço um parasita/Que tá sugando há um tempão/Às vezes, ele é Tchutchuca/Às vezes, ele é Tigrão/O Oscar é dele/Parasita não é gente/Parasita é o ministro/Parasita é o presidente!”.

Outra publicação nas redes sociais ensina, dessa vez ao ministro da Educação, Abraham Weintraub: ;Alô ministro, vamos aprender/Impressionante é com SS e não com C/Ô seu ministro, vai fazer umas ;aulinhas;/Que minha vontade é mandar você plantar chuchu;.

Até o ex-deputado Paulo Rubem Santiago compõe em defesa dos ;parasitas;. Na letra, pede respeito. ;O nosso salário é suado/Não venha nos aporrinhar/O Estado só chega ao povo/Por meio do trabalhador;.

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