Publicidade

Correio Braziliense

Cidades do Ceará cancelam o carnaval de rua por causa do motim de policiais

Exército ocupa ruas de Fortaleza e região metropolitana. Cidades cancelam carnaval, e ministro da Defesa viajará ao estado na segunda-feira


postado em 22/02/2020 07:00 / atualizado em 22/02/2020 15:18

Forças de segurança patrulham ruas de Fortaleza e região metropolitana: paralisação dos policiais militares e bombeiros entra hoje no quinto dia(foto: KLEBER GONÇALVES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO)
Forças de segurança patrulham ruas de Fortaleza e região metropolitana: paralisação dos policiais militares e bombeiros entra hoje no quinto dia (foto: KLEBER GONÇALVES/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO)
Várias cidades do Ceará decidiram cancelar os festejos de carnaval em razão da insegurança gerada pelo motim de policiais militares. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), houve no estado 51 homicídios na quarta e na quinta-feiras, o equivalente a mais de um por hora — em janeiro, a média desse tipo de crime foi de um registro a cada três horas. Diante do avanço da crise, os ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e da Advocacia-Geral da União, André Mendonça, viajarão ao Ceará, na segunda-feira, para acompanhar a situação.

A greve dos PMs, deflagrada na terça-feira para reivindicar aumento salarial, trouxe insegurança para as ruas. O problema levou prefeituras a cancelaram o carnaval nos municípios de Canindé, Forquilha, Milagres, Paracuru, Paraipaba, Santana do Cariri, São Luís do Curu, General Sampaio e Horizonte. Já Aracati, que tem um dos principais carnavais do estado, contratou segurança privada e garante a realização da festa.

“Nós contávamos com efetivo de aproximadamente 200 homens para fazer a segurança, mas, infelizmente, sem o apoio da Polícia Militar, fica muito difícil fazer um evento de grande porte”, justificou o prefeito de Paracuru, Eliabe Albuquerque. “Esperamos até a manhã de hoje (nesta sexta-feira - 21/2), mas eu não seria tão irresponsável para fazer um evento de grande porte aqui.”

As tropas do Exército, cujo emprego em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) foi autorizado na quinta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, passaram a ocupar, nesta sexta-feira (21/2), as ruas de Fortaleza e da região metropolitana. O primeiro efetivo acionado foi o dos quartéis instalados no estado.

A partir deste sábado (22/2), está previsto o início da operação de soldados e oficiais do Rio Grande do Norte, de Pernambuco e da Paraíba. Por questão estratégica, os quantitativos não estão sendo informados à imprensa. A presença do Exército e da Força Nacional de Segurança Pública atende a pedido do governador Camilo Santana (PT). A paralisação dos PMs entra neste sábado (22/2) no quinto dia.

Reunião

As primeiras decisões estratégicas da operação de GLO foram definidas em reunião na manhã desta sexta-feira (21/2), no quartel da 10ª Região Militar, no centro de Fortaleza. O comandante da unidade, general Fernando Cunha Mattos, passou a ter o controle operacional de toda a segurança do estado.

O encontro reuniu a SSPDS, representantes de órgãos de segurança federais (Força Nacional, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Capitania dos Portos, Base Aérea), do estado (Polícia Militar, Polícia Civil, bombeiros) e de Fortaleza (Guarda Municipal). As discussões serviram para a definição das atribuições de cada órgão.

“Todos esses órgãos estarão debaixo do chapéu da GLO, ficam diretamente ligados ao general Cunha Mattos, que se reportará diariamente ao Ministério da Defesa, em Brasília”, informou o coronel Luiz Silveira Benício, assessor parlamentar do Exército. Pelo que foi desenhado, a SSPDS também responderá às demandas da operação.

No ofício enviado pelo governador Camilo Santana à Presidência da República, na quarta-feira, o pedido era para que o Exército atendesse às demandas de segurança na capital, na região metropolitana e em Sobral. Porém, segundo o coronel Benício, está acertado que o efetivo poderá ser deslocado para qualquer ponto do estado, a partir da estratégia operacional que seria definida em uma nova reunião nesta sexta-feira (21/2). “Por demanda, poderão ir para Cariri, Sobral, outro lugar”, informou o oficial.

Entenda o caso

Tensão elevada

A tensão envolvendo o governo cearense e PMs e bombeiros começou por uma demanda de reajuste salarial em dezembro. Batalhões da PM foram atacados, desde terça-feira, segundo o governador do Estado, Camilo Santana (PT), aliado político de Cid. No momento, há 10 ocupados. 

As ações foram executadas por encapuzados. O governo suspeita que os responsáveis sejam policiais. Por isso, Santana solicitou o apoio de tropas federais para reforçar a segurança. O ministro da Justiça, Sérgio Moro, autorizou, na quarta, o envio da Força Nacional de Segurança Pública para o Ceará. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro autorizou o emprego das Forças Armadas no estado.

O governo propõe aumentar o salário de um soldado da PM de R$ 3,2 mil para R$ 4,5 mil, em reajustes progressivos até 2022, mas os manifestantes querem os R$ 4,5 mil já para este ano.  

Outro batalhão é invadido em Sobral

Homens encapuzados — que faziam piquete no batalhão onde o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado na quarta-feira — passaram a ocupar, nesta sexta-feira (21/2), um outro quartel, também em Sobral. As duas ocupações foram “tranquilas”, segundo o vereador do município Sargento Ailton, expulso do partido Solidariedade, nesta semana, por envolvimento com o motim. Ao menos 10 dos 43 batalhões da PM no Ceará estavam ocupados nesta sexta-feira (21/2).

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade